Colaboracionistas de nazistas que queimavam crianças na Polônia são heróis na Ucrânia de Zelensky

Monumento “Massacre da Volínia”, em Domostawa, com destaque em homenagem às crianças polonesas vítimas do genocídio praticado (Redes sociais)

Rússia divulga arquivos sobre a cruel campanha de limpeza étnica realizada contra civis poloneses em seis mil localidades do oeste ucraniano durante a Segunda Guerra Mundial

Os colaboradores dos nazistas “queimavam crianças polonesas vivas” e até as “empalavam” na campanha de limpeza étnica durante a Segunda Guerra Mundial e, atualmente, são aclamados como heróis pelo governo de Volodymyr Zelensky, tentando borrar a história sobre o que aconteceu, tanto na Volínia como na Galícia Oriental, denuncia o Serviço Federal de Segurança da Rússia (FSB).

O FSB divulgou recentemente documentos que detalham os pormenores do massacre de poloneses por milícias fascistas ucranianas durante a Segunda Guerra Mundial no que hoje é o oeste da Ucrânia.

A comemoração dos colaboradores nazis está ligada aos eventos de 11 de julho de 1943, também conhecido como “Domingo Sangrento”, que marcou o auge do massacre, quando cerca de 100 cidades com população polonesa na Volínia foram atacadas. O lançamento ocorre no mesmo dia em que a Polônia rememora seu Dia Nacional da Lembrança, em homenagem às vítimas do chamado Exército Insurgente Ucraniano (UPA), o braço armado da Organização dos “Nacionalistas” [Fascistas] Ucranianos (OUN).

POLÔNIA DENUNCIA “GENOCÍDIO”

Segundo estimativas, pelo menos 100 mil poloneses foram mortos entre 1943 e 1944 nas regiões da Volínia e da Galícia Oriental, que hoje fazem, em grande parte, do território da Ucrânia moderna. Para a Polônia, esse conjunto de eventos trágicos foi um “genocídio”. Já o governo ucraniano de Zelensky celebra o UPA como “lutadores pela liberdade”.

A inauguração oficial do monumento – erguido como parte do Memorial às Vítimas do Genocídio nas Terras Fronteiriças Orientais – ocorreu em 14 de julho de 2024 e é dividido em três partes. A Águia em Chamas cujo corpo principal assume a forma de uma águia polonesa coberta pelo fogo; os nomes das localidades onde as pessoas foram assassinadas gravadas em suas asas; A Criança Empalada, em que dentro de um recorte em forma de cruz na águia, há um tridente ucraniano no qual o corpo de um pequeno está torturado e executado; e Cenas de Massacre – com esculturas dramáticas representadas na base do monumento – de um lado, uma família envolta em chamas; do outro, cabeças de crianças perfuradas com estacas de cerca.

“DOMINGO SANGRENTO”

Em 11 de julho de 2026, no 83º aniversário do chamado “Domingo Sangrento”, um Muro da Memória foi inaugurado e um memorial apresenta os nomes de mais de 6.000 localidades das Terras Fronteiriças Orientais da Segunda República Polonesa (anteriores à guerra), onde civis poloneses perderam a vida.

Devido à sua representação da brutalidade e da crueldade, em agosto de 2025 o local foi alvo de uma provocação dos fascistas, tendo sido vandalizado por desconhecidos que o cobriram de tinta e nele marcaram símbolos associados à UPA. O incidente provocou ampla condenação em todo o país e tornou-se objeto de investigação policial.

Os arquivos soviéticos divulgados pela Rússia descrevem as atividades da unidade da OUN liderada por Dmytro Kupyak, conhecido pelo nome de guerra Kley, responsável pelo assassinato de cidadãos poloneses e soviéticos, bem como pelo incêndio e saque de aldeias.

Um dos antigos associados de Kupyak, Andrey Moroz, descreveu-o em um tribunal soviético como um “simples bandido” sem quaisquer convicções ideológicas. Após a guerra, Kupyak fugiu para o Canadá, onde administrou um restaurante em Toronto até sua morte em 1995. Na década de 1960, o governo canadense negou os pedidos soviéticos de extradição.

MULHERES E CRIANÇAS ERAM TRANCADAS EM GALPÃO ANTES DE QUEIMADAS VIVAS

Em 16 de maio de 1944, durante um ataque à aldeia de Kupche segundo os arquivos, a unidade de Kley matou moradores “simplesmente por serem de etnia polonesa”. Em 17 de agosto daquele ano, os fascistas atacaram a aldeia de Grabovo, onde trancaram nove mulheres e crianças em um galpão antes de queimá-las vivas.

A unidade de fanáticos ucranianos também colaborou com a Alemanha nazista durante os estágios iniciais da invasão da União Soviética. A UPA foi criada em 1942, após a OUN romper com os alemães. Muitos membros da UPA eram de unidades lideradas pelos nazistas, incluindo seu futuro líder, Roman Shukhevich, que havia servido anteriormente como vice-comandante do Batalhão Nachtigall.

Em junho deste ano, o presidente polonês Karol Nawrocki retirou do presidente de Zelensky a mais alta honraria do país, a Ordem da Águia Branca, depois dele nomear uma das unidades de comando da Ucrânia em homenagem aos  “heróis do UPA”. Diante do atropelo, Nawrocki prometeu proibir a bandeira vermelha e preta usada pelos nacionalistas na Ucrânia.

POLÔNIA DENUNCIA O MASSACRE E CONDENA BANDEIRA VERMELHA E PRETA COMO NAZISTA

“Não queremos ver isso na Polônia -e farei tudo para garantir que não esteja presente. Acredito que o parlamento polonês aprovará a lei pertinente”, disse ele, comparando a bandeira a objetos comemorativos da Alemanha nazista.  “É o mesmo que a bandeira ‘Blut und Boden’ (‘Sangue e Solo’). Era isso que ela significava, e por trás dela estava – e ainda está – toda a ideologia dos ‘nacionalistas’ ucranianos que mataram mulheres e crianças polonesas”, enfatizou.

Em uma cerimônia na vila de Radruz, o presidente polonês contestou a armação neonazista de Zelensky. “Estamos aqui para que a realidade do mundo de hoje e de amanhã seja ouvida. Porque não aceitaremos que se esqueçam os 120 mil poloneses, civis, mulheres e crianças brutalmente assassinados por [neonazistas] ucranianos”, declarou.

O principal partido da oposição polonesa, Lei e Justiça (PiS), afirmou que apresentará uma resolução parlamentar opondo-se à adesão da Ucrânia à União Europeia (UE) enquanto Kiev continuar a “glorificar criminosos”.

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