Brasil lança 1º foguete movido à propulsão líquida

(Imagem de vídeo/Instagram/Bizu Space)

Missão batizada de “Trem Baum” coloca o Brasil entre as poucas nações que dominam a tecnologia de motores de alto controle e precisão. “Representa, de fato, um avanço importante e estratégico para a autonomia brasileira no lançamento de satélites”, segundo a Agência Espacial Brasileira

O primeiro foguete desenvolvido no Brasil e movido exclusivamente por propulsão líquida desde a decolagem foi lançado ao espaço pela empresa Bizu Space, de São José dos Campos (SP). O feito coloca o Brasil entre as poucas nações que dominam a tecnologia de motores de alto controle e precisão.

A missão é um importante avanço para o desenvolvimento nacional de motores-foguete de maior controle e precisão, tecnologia fundamental para futuras missões espaciais, impulsionando o programa espacial brasileiro.

O voo do FTL-Perseu aconteceu em 29 de maio, em Virgínia no sul de Minas Gerais. A missão foi batizada de “Trem Baum”, em homenagem à cultura mineira.

Equipe da Bizu Space/Divulgação

O foguete tem 4,5 metros de comprimento e pesa de cerca de 70 kg completamente abastecido. O FTL-Perseu utiliza peróxido de hidrogênio concentrado, ou água oxigenada em alta concentração, como oxidante, e querosene de aviação, como combustível.

Mariana Marciano, engenheira química da Bizu Space, esclarece que o propelente líquido permite controlar o motor do foguete durante o voo com muito mais precisão do que a tecnologia usada hoje no Brasil (motor sólido).

“Hoje, o Brasil desenvolve satélites, mas depende de foguetes de outros países para colocá-los em órbita. Com essa tecnologia, damos um passo importante para mudar esse cenário”, afirmou.”Hoje estamos falando de satélites, mas é essa mesma tecnologia que, no futuro, pode permitir que foguetes brasileiros levem astronautas ao espaço. Ainda é um objetivo para as próximas décadas, mas tudo começa com esse primeiro passo”, acrescentou.

Arthur Bahdur, engenheiro aeroespacial e CEO da empresa, explica que, enquanto o motor sólido é comparável a uma “bomba controlada”, o motor líquido funciona como um veículo com acelerador totalmente ajustável. E acrescenta que “grande parte das matérias-primas, como fibra de vidro, aço inox e até alumínio, a gente usa tudo do Brasil, inclusive os propelentes”.

O veículo foi recuperado por meio de um sistema de paraquedas e rastreamento conforme programado.

Raphael Galate, engenheiro aeroespacial e diretor financeiro, destaca que “o foguete tem uma série de subsistemas que fazem toda a parte do motor líquido funcionar. A parte eletrônica que controla os sistemas e válvulas durante o voo e por último a parte de recuperação que fica no comecinho do foguete, na ponta dele, que a gente chama de coifa”.

Para a Agência Espacial Brasileira (AEB) a propulsão a combustível líquido é um avanço importante para o Programa Espacial Brasileiro.

“O desenvolvimento de sistemas de propulsão líquida representa, de fato, um avanço importante e estratégico para a autonomia brasileira no lançamento de satélites. Além do ganho em desempenho dos veículos lançadores, essa tecnologia reduz a dependência externa em um segmento sujeito a restrições internacionais de transferência tecnológica, permitindo ao País projetar, desenvolver e operar sistemas espaciais mais complexos”, manifestou a AEB em nota ao g1.

A Bizu Space é uma startup, hoje formada por 14 especialistas, que se conheceram no Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA), com formações em engenharia aeroespacial, aeronáutica, química, mecânica e eletrônica.

A empresa divulgou que Fernando de Mendonça, fundador do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) e considerado um dos principais responsáveis pela criação do programa espacial brasileiro, foi homenageado, assinando o foguete aos 101 anos “para que o Dr. Fernando deixasse sua assinatura nele, eternizando seu nome em mais um capítulo da história do programa espacial brasileiro — uma história que ele ajudou a construir desde o início”.

Dr. Fernando de Mendonça, fundador do INPE assina o foguete. Foto: Bizu/Divulgação

Compartilhe

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *