Carta desesperada tentando evitar implosão da candidatura de Flávio é sim propaganda antecipada

Flávio e Jair Bolsonaro (Foto: reprodução)

TSE vai analisar a situação. Jair incorreu em dois crimes ao tentar consertar a lambança de Flávio. Preso, ele não podia escrever a carta. E também não podia fazer propaganda antecipada

O presidiário Jair Bolsonaro incorreu em mais uma infração de sua prisão domiciliar ao enviar uma carta tentando desesperadamente apagar o incêndio e impedir a implosão da candidatura – em queda livre – de Flávio Bolsonaro à Presidência. Além de um preso não poder fazer isso, ele fez também propaganda antecipada.

As crises na campanha não param desde que Flávio foi flagrado num áudio conversando animadamente e pedindo R$ 61 milhões ao banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. O banqueiro está preso por fraudar carteiras de investimento e dar um golpe bilionário no país. E o pior é que Flávio havia mentido ao país dizendo que nunca tinha conversado com o banqueiro.

Depois, constatou-se que, além da conversa telefônica, a relação de Flávio com Vorcaro não ficou só nisso. Ele foi ate a casa de Daniel Vorcaro, em São Paulo, com este já usando tornozeleira eletrônica, para continuar pedindo dinheiro para o filme sobre seu pai e o seu esquema político. Este fato foi demolidor para a campanha porque Flávio havia dito que quando do telefonema obtido pela PF onde ele aparece pedindo dinheiro ao banqueiro, ele não sabia que Vorcaro era criminoso. A máscara caiu.

Mas, as crises não pararam. O candidato fascista viajou aos EUA para participar de uma reunião com grupos de extrema-direita no Texas e ofereceu as riquezas minerais brasileiras, entre elas as terras raras, para Donald Trump. Mais do que isso, prometeu a Trump impedir o comércio do Brasil com a China, o maior parceiro comercial do país. Prometeu também afastar o Brasil do Mercosul, com quem temos um comércio de mais de US$ 40 bilhões e superávit de cerca de US$ 10 bilhões. A traição aos brasileiros por Flávio caiu como uma bomba no país. Afinal, todo o agro brasileiro exporta quase toda a sua produção para a China.

Os mais diversos setores da sociedade começaram a perceber o desastre econômico que representa a candidatura de Flávio. Sua bajulação a Trump seria uma tragédia para a economia do Brasil. Neste período começou a debandada na campanha de Flávio. Aí veio mais um escândalo. Ele voltou aos EUA e disse a Trump que apoia as tarifas impostas unilateralmente pela Casa Branca contra os produtos brasileiros. Só pediu que elas sejam impostas depois das eleições. Esta foi mais uma traição que afastou mais partidos da campanha. União Brasil e Republicanos já desembarcaram e estão recomendando neutralidade.

A coisa se agravou quando Flávio Bolsonaro e seu irmão, outro traidor da pátria, foram implorar apoio de Trump em troca da admissão de negociar o PIX com o governo americano. Sim, porque Trump é contra o PIX. Segundo o bufão da Casa Branca, o fato do PIX ser gratuito para a população brasileira estaria prejudicando os lucros das empresas americanas Visa e Mastercard. Ou seja, os traíras mostraram que o país não importa para eles. O que importa são seus interesses políticos e eleitorais. Esta foi a gota d´água para agravar a crise na campanha.

A partir daí, além do afastamento de aliados, começaram os tiros dados pelos próprios bolsonaristas contra a candidatura. Damares Alves, bolsonarista raiz, abandonou a campanha sob ameaças dos próprios apoiadores de Flávio. A ex-primeira-dama, Michelle Bolsonaro, divulgou um vídeo se dizendo apunhalada pelas costas pelos integrantes da campanha de Flávio. Ela insinuou também que saberia que bolsonaristas teriam participado de um tenebroso “baile dos astronautas”, promovido por Daniel Vorcaro.

A casa caiu literalmente. Foi no meio disso tudo que o golpista presidiário foi obrigado a escrever a carta tentando apagar o incêndio. Uma tentativa desesperada de manter a candidatura isolada e em queda de Flávio ao Planalto. Só que, ao fazer isso, ele cometeu dois crimes simultaneamente. Em prisão domiciliar, ele não poderia escrever a carta. Ele está vedado por lei. E, em segundo lugar, ao defender o voto em Flávio, ele incorreu no crime de propaganda eleitoral antecipada, proibida pela Justiça eleitoral.

SÉRGIO CRUZ

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