Venda do comércio varia 0,1% em maio

Foto: Jefferson Rudy/ Agência Senado

Setor acumula alta de 1,7% no ano, segundo IBGE

As vendas no comércio varejista acumulam alta de 1,7% nos cinco primeiros meses de 2026, conforme dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), nesta quinta-feira (16).

Prejudicadas pelos juros altos, o volume das vendas do setor em maio variaram 0,1%, o que não recupera as perdas registradas em abril (-1,6%). Ante maio de 2025, o aumento é de 0,4%, após ganhos de 1,0% em abril.

Em maio, as vendas no comércio varejista cresceram em cinco das oito atividades analisadas pela pesquisa: Livros, jornais, revistas e papelaria (15,2%), Tecidos, vestuário e calçados (3,1%), Móveis e eletrodomésticos (2,7%), Artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos e de perfumaria (1,4%) e Combustíveis e lubrificantes (1,1%).

De acordo com Cristiano Santos, gerente da pesquisa do IBGE, o segmento de Tecidos, vestuário e calçados pode ter se beneficiado pelo Dia das Mães, assim como Móveis e eletrodomésticos pela Copa Mundial, com a compra de televisores.

“Para presentes de Dia das Mães, creio que o segmento que passou por mais influência foi o de vestuário”, disse Santos. O crescimento de móveis e eletrodomésticos, “pode ter a ver com compra de televisores para a Copa do Mundo”.

No campo negativo, ficaram: Equipamentos e material para escritório, informática e comunicação (-1,7%), Hiper, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo (-1,5%) e Outros artigos de uso pessoal e doméstico (-0,3%).

No comércio varejista ampliado, que inclui as atividades de veículos, motos, partes e peças, material de construção e atacado especializado em produtos alimentícios, bebidas e fumo, o volume de vendas cresceu 1,3% no acumulado deste ano, em relação aos cinco primeiros meses de 2025.

Em maio, o indicador recuou 0,2% frente a abril (-0,7%), apesar de Veículos e motos, partes e peças (alta de 1,8%, após queda de 0,5% em abril) e Material de construção (alta de 2,1%, depois do recuo de 2,6% em abril) apresentarem crescimento no mês.

Na comparação com o mesmo mês do ano anterior, o varejo ampliado ficou -0,6% em baixa, após crescer 1,4% em abril de 2026. Nesta base, as vendas de Veículos e motos, partes e peças cresceram 2,2%. Já Material de construção (-1,8%) e Atacado especializado em produtos alimentícios, bebidas e fumo (-7,7%) assinalaram taxas negativas.

Após os três cortes – a conta-gotas –  de 0,25 pontos percentuais que o Banco Central (BC) realizou na Selic neste ano, os bancos pressionam para o retorno do aumento do nível da taxa nominal de juros, hoje em 14,25% ao ano.

A taxa de juros real (descontada a inflação) já supera os 10% ao ano, firmando o Brasil com a maior taxa de juros reais do mundo. Quadro que restringe o avanço dos investimentos privados e públicos e impede o crescimento econômico sustentável no país.

Com os juros nas alturas, corroendo o orçamento das famílias e elevando a inadimplência a níveis recordes, o efeito sobre as vendas no comércio varejista é imediato.

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