Indústria repele novo tarifaço de Trump contra produtos brasileiros

(Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil)

Sobretaxa de 25% dos EUA afeta US$ 11 bilhões em exportações brasileiras e 4 mil produtos, alerta CNI

Entidades da indústria condenaram a decisão do governo Trump de impor novo tarifaço aos produtos brasileiros exportados para os Estados Unidos. A decisão entra em vigor a partir de 22 de julho.

A sobretaxa de 25% agrava um cenário que já vinha pressionando as exportações nacionais e amplia a insegurança para empresas dos dois países, alertou a Confederação Nacional da Indústria (CNI). Medida afeta US$ 11 bilhões em exportações brasileiras e 4 mil produtos.

“Os efeitos do aumento de tarifas dos Estados Unidos estão sendo cada vez mais sentidos pela indústria brasileira: 20 dos 27 estados reduziram suas exportações ao mercado norte-americano no primeiro semestre. Diante do anúncio de hoje, o cenário tende a piorar, corroendo ainda mais a competitividade da indústria brasileira. Não podemos poupar esforços para reverter essa lógica e retomar a relação que Brasil e Estados Unidos construíram”, afirmou o presidente da CNI, Ricardo Alban, sobre o anúncio feito pelos EUA na quinta-feira (16).

A medida determinada por Donald Trump atinge vários setores da indústria brasileira. Ficaram de fora produtos como café, suco de laranja, carne bovina, aeronaves, entre outros, que não foram sobretaxados por terem muita importância dentro do mercado norte-americano e pela dependência daquele país a esses produtos.

Para a Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (ABIT), “medidas dessa natureza aumentam a insegurança no comércio internacional, reduzem a competitividade das empresas e geram impactos sobre investimentos, produção, emprego e integração das cadeias produtivas”.

Em nota, a entidade afirma que o Brasil e Estados Unidos mantêm uma longa e relevante relação econômica e comercial, construída ao longo de décadas, que sempre se caracterizou pelo diálogo e pela complementaridade em diversos setores.

“Diante desse cenário, a Abit defende que eventuais divergências comerciais sejam tratadas por meio da negociação, do diálogo institucional e dos mecanismos previstos no sistema internacional de comércio, buscando soluções que preservem o fluxo de negócios e os interesses de ambos os países”.

Segundo a Abit, “o atual contexto internacional, marcado por crescente fragmentação geoeconômica e maior utilização de instrumentos de política comercial, reforça a importância de o Brasil continuar avançando em sua agenda de competitividade, ampliação de mercados, diversificação das exportações e fortalecimento de sua base industrial”.

A Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq) também manifestou preocupação com a decisão do governo Trump. Para a entidade, a medida traz incertezas para as relações comerciais entre os dois países.

Principal destino das exportações brasileiras, a entidade de máquinas e equipamentos informou que seguirá acompanhando os desdobramentos do tarifaço e que continuará atuando junto às autoridades brasileiras e interlocutores nos Estados Unidos para buscar uma solução negociada que preserve a competitividade industrial e a relação econômica entre os dois países.

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