Além da aquisição de 20 jatos E195-E2 – o mais eficiente avião comercial do mundo para rotas domésticas -, acordo prevê mais 10 opções de compra e 15 direitos de compra, totalizando até 45 aeronaves
A Embraer e o Grupo Abra, controlador da Gol, anunciaram na terça-feira (21) o acordo para a aquisição pelo grupo de 20 jatos E195-E2 – o mais eficiente avião comercial do mundo para rotas domésticas- desenvolvido pela empresa brasileira. O acordo prevê ainda mais 10 opções de compra e 15 direitos de compra, totalizando até 45 aeronaves. Além da Gol, o grupo Abra controla Avianca (Colômbia) e Wamos Air (Espanha).
O anúncio foi feito em coletiva na Farnborough International Airshow, no Reino Unido, um dos maiores e mais importantes eventos da indústria aeroespacial, de defesa e de aviação do mundo. Em valor de mercado a operação alcança a cifra de US$ 1,75 bilhão, considerando o preço de tabela.
“Temos orgulho de apoiar o Grupo Abra em sua jornada de crescimento com o E195-E2, uma das aeronaves de corredor único mais eficientes e sustentáveis do mercado. Este acordo reforça a posição da Embraer como uma parceira-chave para companhias aéreas que buscam versatilidade e desempenho em aeronaves narrowbody de menor porte”, declarou Arjan Meijer, presidente e CEO da Embraer Aviação Comercial.
Para o Ceo da Abra, Adrian Neuhauser,”este acordo reflete nosso compromisso de continuar investindo em aeronaves eficientes e de nova geração, à medida que expandimos a conectividade e fortalecemos nossa malha na região e nos mercados domésticos”.
A entrega do primeiro jato está prevista para o quarto trimestre de 2027. A perspectiva é que esses jatos deverão ser usados nas rotas regionais da Gol. A compra ainda depende do cumprimento de algumas condições adicionais, segundo a Embraer.
O E195-E2 consome cerca de 30% menos combustível por assento em relação a gerações anteriores da família, característica que o torna competitivo em rotas de médio alcance. Isso poderá dar a Gol condições de atender cidades médias com voos em horários mais frequentes, sem operar com muitos assentos vazios.
Na avaliação do professor do Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA) Alessandro Oliveira, coordenador do Núcleo de Economia do Transporte Aéreo (Nectar-ITA), o principal efeito da aeronave não estaria no custo operacional, mas na capacidade de reorganizar a malha aérea doméstica, abrindo rotas hoje inviáveis para jatos maiores.
“O fato de a empresa estar revendo um paradigma central da sua atuação não significa que esteja abandonando totalmente seu modelo de low cost ‘baixo custo’. A Gol sempre foi uma companhia que prezou a concorrência via custos, sempre se manteve muito competitiva em relação às rivais, com despesas por assento menores do que as da concorrência, e até menores do que as dela própria, quando mais jovem”, avalia o professor.
“A introdução do E195-E2, não só na Gol, mas em qualquer malha de companhia aérea, amplia as possibilidades de desenvolvimento de rotas e de exploração de novos mercados. Uma empresa acostumada a operar apenas jatos de fuselagem larga (Boeings, e mais recente Airbus A330 para voos intercontinentais) passa a ter condições de atender mercados menos densos, mas também lucrativos, e ainda de melhorar a qualidade da oferta nos mercados que já atende, principalmente os de média densidade”, diz o especialista.
Tiago Faierstein, diretor-presidente da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), reforça que a aviação regional brasileira tem grande potencial de crescimento e a compra da Gol pode reforçar essa área do setor.
A Azul é a única viação que opera aeronaves E195-E2 em voos comerciais no Brasil, no momento. Em setembro do ano passado, a Latam também fechou um acordo de compra do E195-E2, que deve começar a chegar à sua frota no fim do ano. Foi um pedido para até 74 aeronaves, considerando pedidos firmes, no total de 24, com um valor de tabela de US$ 2,1 bilhões.
Com a compra do Abra agora anunciada, mais o fechamento da Latan no ano passado e operação da Azul, a Embraer consegue colocar suas aeronaves na frota das três principais empresas de grande porte no país, que respondem por quase 100% da demanda doméstica.
Na mesma feira, a Embraer vendeu outras cinco unidades do E195-E2 para a espanhola Binter e outras três para a luxemburguesa Luxair, elevando o total de pedidos firmes no terceiro trimestre para 28 aeronaves. Somando opções e direitos de compra, o total pode alcançar 58 aeronaves nos próximos contratos. A empresa também anunciou um acordo com a sueca Saab que pode levar à fabricação de mais 20 caças Gripen no Brasil.











