Em um discurso fascista que beirou o delírio, o presidente norte-americano Donald Trump, na abertura da Assembleia Geral das Nações Unidas, a organização formada para reconstruir o mundo pós-derrota do nazifascismo e salvaguardar a paz, ousou nesta terça-feira (22) divagar sobre “se aniquilo o Irã”, asseverou “aos vencedores os despojos” – referindo-se ao sequestro de um presidente e do petróleo da Venezuela, prometeu a recolonização do “hemisfério ocidental” e exigiu do mundo inteiro capitulação à sua “paz pela força” – ou pelo tarifaço -, apesar do vexame no Estreito de Ormuz que todos vêem, das bases destruídas no Golfo, da escassez de petróleo e gás no mundo inteiro e das tristes perspectivas para ele em novembro nas eleições intermediárias nos EUA.
Trump teceu loas à sua guerra de agressão ao Irã – o crime de guerra que contém todos os demais segundo a jurisprudência de Nuremberg, alardeou o orçamento do Pentágono inflado para US$ 1,5 trilhão e anunciou a pretensão de prosseguir execuções extrajudiciais em alto mar na América Latina para usar gangues como pretexto para seu intento de ressurreição da Doutrina Monroe, além de se gabar da sua condição de xenófobo e racista.
Numa Assembleia Geral que há três décadas aprova por esmagadora maioria resolução pelo fim do bloqueio dos EUA a Cuba, Trump ameaçou a ilha do Caribe, contra a qual aplica um cerco naval impedindo a entrada de petróleo há mais de oito meses, classificado como uma “Gaza silenciosa” por ativistas americanos que lá foram.
O discurso de Trump expõe de forma clara o que pretendem fazer no Brasil os seus aliados por aqui, do clã bolsonarista.
Em repúdio, a delegação cubana se retirou do plenário quando o país foi mencionado pelo sicofanta ao vociferar na ONU.
O discurso foi precedido pelo de Lula, que defendeu exatamente a abordagem oposta: o multilateralismo, a Carta da ONU, o bem-estar e a soberania dos povos sem deixar de afirmar que o Brasil “não cabe no quintal de ninguém”.
Em seu discurso de despedida, o secretário-geral da ONU, Antonio Guterres, disse que atualizar os mecanismos de ação coletiva é o “desafio decisivo” que a comunidade internacional tem pela frente, neste momento em que o mundo está “claramente se tornando multipolar”.
É hora – ele acrescentou -de escolher se o poder será regido “pela lei ou pela força, pela cooperação ou pela coerção”.
No dia do discurso, segundo a revista Newsweek, conforme a pesquisa do American Research Group, a aprovação de Trump caíra para 29% – um patamar anteriormente só atingido por W. Bush em 2008, quando do crash. A pesquisa foi realizada de 16 a 20 de setembro com 1.100 adultos americanos.
AUTOINCRIMINAÇÃO DESDE O PÚLPITO DA ONU
Como um eventual Nuremberg 2.0 julgaria essas declarações de Trump na ONU:
“Tenho uma grande decisão a tomar. Será que será feito um acordo com o Irã que lhes permita reconstruir e criar um país muito maior do que jamais foi antes, talvez um dos maiores do Oriente Médio ou até do mundo? Ou devo aniquilar a República Islâmica e fazer isso rapidamente, nunca mais dando a eles a chance de matar e destruir pessoas e países?”
Ameaçando com o ‘maior ataque de todos’, Trump se dirige ao país de 90 milhões de habitantes. “Eu os levo para o inferno sem chance de sobrevivência e sem esperança de grandeza ou gerações futuras?”
Se não é uma autoincriminação, o que seria? Mesmo nos EUA, isso é percebido.
“Uma coisa é fazer ameaças genocidas contra uma nação nas redes sociais. Outra coisa é fazer isso do púlpito da ONU”, disse ao Common Dreams professora associada Maryam Jamshidi, da Faculdade de Direito da Universidade do Colorado.
“Foi isso que Donald Trump acabou de fazer. Ele usou seu discurso na ONU para ameaçar o Irã com aniquilação.”
O grupo de veteranos democratas VoteVets acusou Trump de “contemplar casualmente crimes de guerra diante de toda a Assembleia Geral da ONU”, chamando sua ameaça de “perturbada e perigosa.”
O jornalista Mehdi Hasan (fundador a Agëncia de Notícias Vedeo) declarou: “Que vergonha. O presidente dos Estados Unidos vai às Nações Unidas e ameaça genocídio contra um Estado-membro da ONU diante do mundo. É aqui que estamos”.
Matt Duss, vice-presidente executivo do Center for International Policy e ex-assessor do senador Bernie Sanders, considerou os comentários de Trump como “perigosamente descontrolados”.
“Tal retórica não é apenas imprudente, é uma ameaça criminosa de genocídio contra uma nação inteira”, acrescentou. “Legisladores dos EUA e parceiros americanos ao redor do mundo deveriam condenar as declarações de Trump e tomar todas as medidas necessárias para pôr fim à guerra contra o Irã”.











