Haddad critica caos nos trens e defende rever privatização da CPTM e Sabesp

Pré-candidato ao governo de SP, Fernando Haddad -Foto: Ricardo Stuckert/PR

O pré-candidato ao governo de São Paulo, Fernando Haddad (PT), afirmou nesta quinta-feira (23) que revisará os contratos de privatização dos trens e metrôs do estado caso seja eleito. A declaração foi feita em meio ao caos no sistema ferroviário paulista, marcado por falhas nas linhas privatizadas, e reforça o discurso da oposição de que a política de privatizações do governador Tarcísio de Freitas precisa ser reavaliada.

Durante entrevista à rádio Nova Brasil FM, Haddad afirmou que a revisão também abrangerá o contrato de privatização da Sabesp e o projeto do novo Centro Administrativo, com o objetivo de identificar cláusulas prejudiciais ao Estado, falhas de fiscalização e possíveis irregularidades.

“Tarcísio foi ministro dos Transportes no governo Bolsonaro. Quando assumi o Ministério da Fazenda, eu e o ministro Renan Filho tivemos de rever, com acompanhamento do Tribunal de Contas, contratos assinados por ele que traziam prejuízo ao Tesouro Nacional. Em SP, vou fazer a mesma coisa. Vou analisar o contrato da Sabesp, o contrato do Centro Administrativo e os contratos da CPTM, que vêm apresentando tantos problemas depois da privatização”, afirmou.

A declaração ocorreu no mesmo dia em que milhares de passageiros enfrentaram atrasos, estações lotadas e interrupções no transporte sobre trilhos. As linhas 11-Coral, 12-Safira e 13-Jade, privatizadas pelo governo Tarcísio e operadas pela Trivia Trens, tiveram a operação comprometida após uma falha de energia e um incêndio em uma composição.

A Linha 3-Vermelha do Metrô precisou reforçar a operação para absorver parte da demanda, enquanto a Linha 10-Turquesa, que permanece sob responsabilidade da CPTM, também registrou lentidão após o corte de cabos.

As falhas ocorreram poucos dias depois de a iniciativa privada assumir a operação das três linhas e ampliaram os questionamentos sobre a política de privatização do transporte ferroviário paulista. Passageiros enfrentaram horas de transtornos, enquanto cresceram as críticas à fiscalização dos contratos e à capacidade de resposta da empresa responsável.

ANÁLISE INDIVIDUAL

Haddad afirmou que a proposta não significa anular automaticamente todos os contratos. Segundo ele, cada privatização será analisada individualmente para preservar medidas consideradas positivas e corrigir dispositivos que possam causar prejuízo ao interesse público.

O petista disse que pretende repetir no governo estadual a estratégia adotada durante sua gestão na Prefeitura de São Paulo, entre 2013 e 2016, quando afirma ter revisado contratos considerados lesivos à administração pública.

“Foi assim quando acabei com a taxa da inspeção veicular, enfrentei a Máfia do ISS e suspendi o contrato superfaturado do túnel Roberto Marinho. O que for bom para São Paulo terá continuidade. O projeto de revitalização do Centro, por exemplo, começou na minha gestão como prefeito e será mantido”, declarou.

SABESP NA MIRA

Além das privatizações do sistema ferroviário, Haddad anunciou que pretende revisar o contrato de privatização da Sabesp e os acordos relacionados ao novo Centro Administrativo do governo paulista, duas das principais marcas da gestão Tarcísio.

A venda da companhia de saneamento é alvo de críticas da oposição, que questiona garantias tarifárias, metas de investimento e mecanismos de controle público. Já o Centro Administrativo prevê a transferência de órgãos estaduais para a região central da capital por meio de uma parceria com a iniciativa privada.

A revisão das privatizações deve ocupar espaço central na disputa pelo governo paulista. Enquanto Tarcísio defende o avanço da iniciativa privada na gestão de serviços públicos, Haddad sustenta que contratos desse porte precisam ser submetidos a fiscalização permanente e revistos quando houver indícios de prejuízo ao Estado.

Os problemas registrados nesta quinta-feira nas linhas privatizadas deram novo impulso às críticas ao modelo adotado pelo governo paulista. Ao relacionar os transtornos enfrentados pelos passageiros ao processo de privatização do transporte ferroviário, Haddad reforçou a promessa de promover um pente-fino nos contratos firmados pela gestão Tarcísio e transformou o tema em um dos principais eixos de sua campanha ao Palácio dos Bandeirantes.

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