Para o ministro da Fazenda, Flávio Bolsonaro não consegue apoio interno e apela para interferência externa
O ministro da Fazenda, Dario Durigan, classificou Javier Milei de “palhaço”, após o presidente da Argentina promover diversas ofensas direcionadas ao presidente Lula e ao Supremo Tribunal Federal (STF). O ministro rebateu as injúrias do presidente argentino ao Brasil com a afirmação de que a economia brasileira – que é a maior da América Latina – está melhor do que a argentina.
“O palhaço do presidente da Argentina veio ao Brasil ontem e falou de Brasil, quando o risco-país da Argentina é muito mais alto, a dívida pública é muito mais alta, a inflação lá é muito alta”, comentou Durigan, em entrevista à Rádio Jornal, de Pernambuco, nesta segunda-feira (27).
“Eu acho que a oposição no Brasil, ao trazer o Milei para cá, ao falar com o Marco Rubio, é um pouco essa linha de desespero. Como não tem apoio aqui, não está conseguindo apoio interno, vai buscar interferência externa”, declarou Durigan.
“Não dá para entrar na onda dessas pessoas que dizem que vai virar o apocalipse, que vai ter problema, porque o Brasil está com mínima de desemprego, mínima de inflação, recorde de balança comercial, safra recorde, desmatamento. Porque aqui não passa boiada, porque aqui a gente cuida do meio ambiente ao mesmo tempo que cuida da economia”, completou Durigan.
Milei veio ao Brasil, no sábado (25), na tentativa de socorrer o senador Flávio Bolsonaro, que vê sua popularidade ser esvaziada pelo escândalo de corrupção envolvendo tratativas financeiras com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro (preso no Complexo Penitenciário da Papuda). O desgaste também é motivado pelos serviços prestados por sua família para ajudar o governo de Donald Trump a impor o tarifaço contra os produtos brasileiros nos EUA, acabar com o PIX (sistema brasileiro de pagamentos instantâneos) e assaltar as reservas brasileiras de metais críticos, entre outras ações.
No último sábado, durante o lançamento da candidatura de Flávio Bolsonaro à Presidência da República nas eleições de 2026, Javier Milei acusou, sem apresentar qualquer prova, o governo brasileiro e de outros países de financiarem uma campanha contra a Argentina. Ele também chamou o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, de “lixo careca”, pois o ministro negou o seu pedido de visita a Jair Bolsonaro, atualmente em prisão domiciliar por crimes como golpe de Estado e abolição violenta do Estado de Direito.
Os grunhidos de Javier Milei reverberaram até o Itamaraty, que decidiu convocar na tarde de domingo (26) o embaixador da Argentina, Daniel Raimondi, para dar explicações e “transmitir a repulsa” do governo brasileiro às falas do presidente argentino.
O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, também chamou de volta a Brasília o embaixador do Brasil em Buenos Aires, Julio Bitelli, para consultas.
A pasta afirma, por meio de nota, que “não há precedentes de um presidente estrangeiro que, em território nacional, enfeixe agressões e ofensas ao Chefe de Estado, às instituições democráticas, inclusive ao Poder Judiciário, e ao povo brasileiro. É especialmente lamentável que esse episódio infamante envolva o presidente de um país com o qual o Brasil mantém 203 anos de amizade e cooperação e que tem, no Brasil, o seu principal sócio comercial”.










