Só no mês de junho, R$ 110,7 bilhões em recursos públicos foram destinados a bancos e demais rentistas
A despesa do setor público (que engloba União, Estados, municípios e estatais) com o pagamento de juros saiu de R$ 61 bilhões em junho de 2025 para R$ 110,7 bilhões em junho deste ano, segundo dados divulgados nesta sexta-feira (31) pelo Banco Central (BC).
No primeiro semestre de 2026, o pagamento de juros da dívida pública – que, na prática, é um meio de extração da renda da população brasileira em direção ao setor financeiro – atingiu a soma de R$ 569,7 bilhões e, no acumulado em 12 meses, supera os mais de R$ 1,160 trilhão, alimentada por uma Selic (taxa básica de juros) que desde março do ano passado está acima de 14% por decisão do próprio BC.

Entre janeiro e junho de 2025, o gasto com os juros estava em R$ 416,7 bilhões e, nos 12 meses até junho de 2025, em R$ 912,3 bilhões (7,41% do PIB).
Sendo pressionada pelos juros, a dívida pública voltou a subir em junho. Segundo o BC, a dívida líquida do setor público (DLSP) aumentou 0,6 p.p. do PIB e ficou em 68,5% do PIB (R$ 9,0 trilhões) no mês. Já a dívida bruta atingiu 81,9% do PIB (R$ 10,8 trilhões) em junho de 2026, um aumento de 0,9 p.p. do PIB em relação ao mês anterior.
O Comitê de Política Monetária (Copom) do BC irá se reunir na próxima semana (entre os dias 4 e 5 de agosto) frente à melhora dos indicadores de inflação, o que abre espaço para uma queda mais acentuada na Selic, como defendem o empresariado produtivo, o governo e as famílias brasileiras.
Já o cartel dos bancos – via Boletim Focus e seus porta-vozes na mídia – defende uma taxa em 14% no final de 2026, com apenas mais um corte de 0,25 ponto percentual na reunião da semana que vem. E, para sustentar o “sagrado” pagamento de juros, os bancos exigem do governo cortes em direitos sociais, nos investimento em saúde, educação, segurança, infraestrutura, etc.
Segundo o BC, cada corte de 1 ponto na Selic significa uma queda de R$ 66,1 bilhões no gasto anual com os juros da dívida pública líquida. A mesma proporção se aplica em cenários de aumento da taxa nominal de juros.










