Parlamento cubano denuncia “agressão genocida” de Trump na intenção de subjugar Cuba

Assembleia Nacional do Poder Popular cubana conclama parlamentos em todo o mundo a se levantarem e apoiarem os esforços do povo cubano

A Assembleia Nacional do Poder Popular (Parlamento) de Cuba condenou, em comunicado divulgado nesta quarta-feira (29), a “agressão genocida” do governo dos Estados Unidos contra a ilha e sua intenção de “subjugar” o povo cubano pela força.

“Os deputados da Assembleia Nacional do Poder Popular da República de Cuba, em nome do povo cubano, reiteram sua mais veemente condenação à agressão genocida do governo dos Estados Unidos contra Cuba e à determinação imperialista de subjugar pela força a vontade soberana do povo cubano”, afirma o comunicado, lido em plenário pela vice-presidente do Legislativo, Ana Mari Machado.

A Assembleia conclamou parlamentares de todo o mundo a honrar e apoiar as vozes e os esforços que buscam impedir uma agressão militar dos EUA contra Cuba e pôr fim à “guerra silenciosa e genocida” imposta por Washington, que inclui um bloqueio energético e novas sanções econômicas contra a ilha.

O chefe da Casa Branca, Donald Trump, adotou uma política de pressão máxima contra a ilha, de 9,4 milhões de habitantes. Ao embargo econômico em vigor desde 1962, ele acrescentou neste mês de janeiro um bloqueio de fato ao setor petrolífero e outras sanções, que levaram a economia à beira do colapso, com cinco apagões generalizados desde o começo do ano, além da escassez de alimentos, combustíveis, água potável e medicamentos.

AMEAÇAS DE AGRESSÃO DOS EUA É “CRIME INTERNACIONAL”

“Como pode um país no século XXI, no terceiro milênio, viver sem combustível? Como pode gerar eletricidade suficiente? Como pode manter a vitalidade de suas indústrias, fábricas e hospitais? Como pode produzir e transportar alimentos e medicamentos?”, questionou a declaração.

O comunicado também descreve como um “crime internacional” as repetidas ameaças de agressão militar por parte de Washington e alerta que qualquer tentativa de desestabilização encontrará “forte resistência” por parte de Cuba, que continuará a defender sua independência, soberania e seu projeto socialista, que descreveu como princípios “inegociáveis”.

A Assembleia Nacional dá especial ênfase à “guerra econômica” e ao “bloqueio energético”, equiparando-os a um bloqueio naval, e salienta que as sanções secundárias dos Estados Unidos contra empresas que comercializam com a ilha visam provocar uma crise humanitária.

VÁRIOS SETORES SÃO ABERTOS À INICIATIVA PRIVADA

Em meio ao embargo de energia e sob uma pressão exacerbada pelos Estados Unidos, Cuba anunciou nesta quarta-feira (29) a abertura de vários setores à iniciativa privada. As normas publicadas no Diário Oficial fazem parte de um pacote de medidas aprovadas pelo Parlamento cubano e pelo Partido Comunista em junho, buscando aliviar o quadro imposto pelo governo Trump em janeiro que agravou a crise econômica e afetou gravemente a população.

Distribuição de combustíveis, serviços farmacêuticos e óticos, instituições de longa permanência para idosos, terminais de passageiros e de cargas, instalações portuárias, importação de veículos, energias renováveis e operações de petróleo e mineração (sob determinadas condições) foram abertos ao capital privado, segundo comunicados oficiais divulgados pela imprensa estatal.

Já a saúde continuará sendo responsabilidade do Estado, e os serviços médicos continuarão sendo garantidos à população cubana com atendimento hospitalar gratuito, informou a mídia estatal.

A educação, outro pilar da revolução cubana que foi severamente impactado pela crise econômica, também permanece sob controle público.

Os meios de comunicação, as telecomunicações, a segurança, a defesa e a indústria do fumo também vão permanecer sob o controle do Estado.

Ao anunciar as reformas, o governo também garantiu que agilizaria a aprovação das pequenas e médias empresas (PMEs) autorizadas em 2021. Segundo as autoridades, mais de 15.000 PMEs operam na ilha, um número que reflete um recente impulso no processo de aprovação desses negócios, que empregam mais de um terço da população economicamente ativa.

“HOJE É CUBA. AMANHÁ PODE SER QUALQUER OUTRA NAÇÃO”

O presidente Miguel Díaz-Canel insistiu em acusar o governo Trump de implementar uma “política genocida” contra o país, que busca tomar o controle da nação caribenha. O presidente fez essas declarações em Pinar del Río (oeste de Cuba), no domingo (26), em um evento político que comemorava o 73º aniversário do ataque ao Quartel Moncada, a primeira ação dos revolucionários que tomaram o poder em 1959, data marcada neste ano pela máxima pressão de Washington sobre Cuba.

“Antes foram Gaza, Líbano e Irã. Hoje é Cuba. Amanhã pode ser qualquer outra nação”, afirmou Díaz-Canel, alertando que seu país não é a primeira nem será a última vítima das políticas dos EUA. “Os funcionários do Departamento de Estado, especialistas em redigir sanções, compilar listas e inventar pretextos, são uma versão moderna dos redatores de decretos e proclamações militares que eram tão temidos e odiados na Idade Média ou durante as ocupações nazistas da Segunda Guerra Mundial”, observou ele.

 Por sua vez, o ministro das Relações Exteriores de Cuba, Bruno Rodríguez, denunciou nas últimas horas que os Estados Unidos, por meio de pressão e coerção sobre a ilha, buscam infligir o maior castigo possível à população para forçar sua rendição. Em seu discurso na sessão plenária da Assembleia Nacional do Poder Popular (ANPP), o ministro advertiu: “Apesar da hostilidade dos EUA, a bandeira revolucionária de Cuba jamais será arriada, nem mesmo diante de uma intervenção militar”.

O ministro enfatizou que Cuba tem o dever e o direito de rejeitar e confrontar a agressão dos EUA, inclusive com armas, caso o país seja atacado militarmente. “O governo cubano tem a disposição de encontrar soluções para as divergências bilaterais de Havana com Washington e a dialogar com os Estados Unidos com base no respeito e com pleno respeito às prerrogativas soberanas de cada parte”, esclareceu. “Continuamos aspirando à possibilidade de uma relação respeitosa e construtiva com nosso voraz vizinho do norte”, acrescentou Rodríguez, que ressaltou que a ilha não representa uma ameaça para os EUA, nem deseja ser adversária ou inimiga de Washington, pois está comprometida com a paz.

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