Taxa Selic em 14% “piora a perspectiva da indústria e compromete gravemente a renda das famílias, que já apresentam níveis recordes de endividamento e inadimplência, alerta o presidente da CNI, Ricardo Alban
O Comitê de Política Monetária (Copom) decidiu novamente cortar o nível da taxa básica de juros (Selic) em 0,25 ponto porcentual, que caiu de 14,25% para 14,00%, informou o Banco Central (BC), nesta quarta-feira (5).
Na prática, a decisão continua garantindo a festa da casta rentista às custas de quem produz e trabalha neste país. Isso porque com o quarto corte minguado na Selic neste ano, o patamar da taxa de juro real brasileira (após o desconto da inflação) se mantém acima dos 10% a.a – o maior juro real do planeta.

Apenas no primeiro semestre de 2026, o pagamento de juros da dívida pública – que, na prática, tem servido como um mecanismo de extração da renda da população em direção aos bancos – atingiu a soma de R$ 569,7 bilhões. Em 12 meses até junho, esse gasto supera os R$ 1,16 trilhão.
Na avaliação da Confederação Nacional da Indústria (CNI), os juros altos seguirão agravando as dificuldades do setor. Ontem, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou que a produção industrial brasileira recuou 1,8% em junho deste ano. Essa foi a segunda queda seguida mensal do indicador, que acumula variação negativa de 2,7% no período.
O presidente da CNI, Ricardo Alban, afirma que “não há justificativa compreensível para a manutenção da taxa de juros em um nível tão alto”. O resultado negativo do total da indústria nacional foi puxado pela indústria de transformação, que assinalou uma queda de -1,8% na comparação com maio.
“A decisão do Banco Central piora a perspectiva para a indústria, já tão prejudicada pelas incertezas no cenário externo. Além disso, o crédito caro compromete gravemente a renda das famílias, que já apresentam níveis recordes de endividamento e inadimplência”, completa Alban.










