“O nacionalismo nos países imperialistas é reacionário. Já o nacionalismo nos países dominados é progressista”
O Brasil vive um momento agudo de sua luta contra a dominação imperialista. Somos um país que já superamos o colonialismo português, derrotamos o seu sucessor londrino e agora nos digladiamos com o imperialismo norte-americano.
A chegada ao poder do fascismo de Trump e Marco Rubio tirou a máscara da dominação pela lábia e pela enrolação, típica da fase neoliberal. Agora, ao rasgar as leis internacionais, o império em decadência está colocando as ameaças de agressão diretamente sobre a mesa. Isto está despertando nos brasileiros um forte sentimento nacionalista.
Nesta hora é muito importante entendermos profundamente o significado desta palavra e deste sentimento. Há quem diga que o nacionalismo é um movimento de direita e que, portanto, devemos nos afastar dele e até combatê-lo. Esta é uma avaliação profundamente equivocada.
Poderíamos buscar nos teóricos do marxismo a avaliação de que a fase imperialista do capitalismo dividiu o mundo em países dominantes e países dominados. E que os conceitos adotados no campo imperialista, na grande maioria das vezes, não servem para os países dominados.
Mas, fiquemos com a simplicidade e a extrema clareza de um dos nossos teóricos, integrante do Instituto Superior de Estudos Brasileiro (ISEB), o jurista e fundador do Partido Socialista Brasileiro (PSB), Hermes Lima. Disse ele em um de seus textos: “o nacionalismo nos países imperialistas é reacionário. Já o nacionalismo nos países dominados é progressista”.
Uma definição simples, clara e decisiva, que deve ser compreendida profundamente. Principalmente num momento grave como este que vivemos.
Os fascistas brasileiros sempre se travestiram de nacionalistas, mas são, na verdade, profundamente entreguistas. Isto fica claro no comportamento da família Bolsonaro diante de Trump. Os fascistas da periferia se travestem de nacionalistas porque são demagógicos e escondem sua verdadeira essência. Eles são completamente servis ao capital financeiro dos países imperialistas. Só muda a quem eles bajulam. Para os integralistas, o “mito” era Hitler. Para os bolsonaristas, é Trump.
Superar a visão de que o nacionalismo é igual em todos os lugares é fundamental. Nos países imperialistas ele é xenófobo, expansionista, racista e profundamente reacionário. Já em países dominados como o Brasil, ele é um movimento progressista, amplo e extremamente necessário. A sua característica principal é ser anti-imperialista. Este movimento deve, portanto, ser abraçado e dirigido por todas as forças mais consequentemente progressistas e anti-imperialistas do país.
SÉRGIO CRUZ










