O bispo da Diocese de Afogados da Ingazeira (PE), Dom Limacêdo Antônio da Silva, foi alvo de ataques por realizar, no fim de semana passado, uma caravana pela democracia no sertão do estado. O ato inter-religioso reuniu, além da Igreja Católica, entidades civis e movimentos populares e contou com centenas de participantes.
Após o evento, o Bispo começou a ser hostilizado pelas redes sociais. Em resposta, minimizou as críticas, afirmando que fazem parte da “mesma democracia que defendo”, mas alertou para a necessidade de regulação da internet. “Tem que ter regra, tem que ter lei, porque muitos absurdos são cometidos”, afirmou.
O bispo defendeu que a igreja precisa atuar como “formadora de consciência” e que “a ignorância só interessa aos ditadores”. “Jesus falava das questões terrenas, da fome, da justiça, da maldade. Muitas vezes querem colocar uma religião somente do céu. Religião é aqui, é o religar, aproximar as pessoas”, disse.
De acordo com o religioso, a defesa da democracia está diretamente ligada à palavra de Deus. “A democracia supõe a participação. Deus quer dialogar com seu filho”, disse, citando o Papa João Paulo 2º quando afirmou que “Deus não é solidão, Deus é família”.
“Muita gente não sabe nem por que está querendo isso [fim da democracia]: se soubesse, não queria, porque é uma loucura o que já teve no Brasil na década 1960. A falta de conhecimento leva muita gente a dizer bobagem”.
Sobre as acusações, como a de ser “um militante de esquerda”, Dom Limacêdo citou o Papa Leão 14: “Quando ele foi atacado por Trump respondeu: ‘Eu anuncio o evangelho’”. Segundo o bispo, esse é o seu papel. “A gente vai esmiuçando e colocando as consequências históricas, pastorais, desse evangelho de Cristo”.
Dom Limacêdo foi nomeado para o cargo pelo Papa Francisco em outubro de 2023. Em sua longa trajetória religiosa, que começou em 1986 ao formar-se padre em Limoeiro, sempre esteve à frente na defesa dos mais pobres e das causas sociais. É formado em Filosofia e Teologia, além de possuir pós-graduação em Dogmática pela Universidade Pontifícia Gregoriana, em Roma.
Em dezembro de 2025 também foi atacado por bolsonaristas e católicos de direita após proferir a homilia na missa de Natal e usar a mensagem bíblica para criticar os atos de vandalismo de 8 de janeiro. Na ocasião, recebeu apoio de outros bispos e várias entidades.










