Dois dias antes, Trump postara que “esta é a era de ouro dos Estados Unidos”
Dois dias após o presidente Trump asseverar que a economia dos EUA vive uma “era de ouro”, o Departamento de Estatísticas do Trabalho (BLS, na sigla em inglês) divulgou que o país perdeu em julho 23.000 empregos, quando as previsões apontavam para a criação de 80.000 novos postos de trabalho.
O BLS informou ainda na sexta-feira (7) que os números do emprego de maio e junho foram revisados em 103 mil vagas a menos – respectivamente de + 129.000 para + 63.000 e de 57.000 para 20.000.
Assim, a média mensal de geração de empregos até agora este ano é de 34.000 vagas, a menor desde o início da pandemia. Foi, ainda, o pior julho para a geração de emprego desde 2010.
“Esta é a era de ouro dos Estados Unidos, e isso é apenas o começo. Já estamos alcançando patamares que ninguém acreditava serem possíveis, e as maiores vitórias ainda estão por vir!”, postara Trump em seu Truth Social na quarta-feira (5).
Ele se gabara, também, de que “a indústria manufatureira norte-americana voltou!”, as exportações estão bombando e o mercado de ações “está em máximas históricas e continua batendo recordes porque os investidores sabem que os EUA estão triunfando”.
Outro otimista de plantão é o novo presidente do Federal Reserve, Kevin Warsh, que há poucas semanas se referira à “resiliência impressionante” da economia. “Mesmo diante dos choques recentes, as tendências são positivas e refletem um crescimento sólido. A criação de empregos acompanhou o crescimento da força de trabalho e a taxa de desemprego flutuou muito pouco.”
“É difícil descrever este relatório de outra forma que não seja como fraco”, disseram analistas da Bloomberg em relação aos números do BLS.
Alguns observadores argumentaram que a surpresa de julho seria uma decorrência do fim da Copa do Mundo, o que não explica a redução de vagas de trabalho na revisão dos dados de maio e junho.
PIB ANÊMICO
Faz parte da “era de ouro” a alta do PIB no segundo trimestre de 0,4% (apresentada triunfalmente como ‘1,5%’, graças a multiplicar por 4 o resultado, dito então ‘anualizado’) em relação ao trimestre anterior, e desacelerando de igualmente anêmico 0,5% no primeiro trimestre.
Os dados do BLS confirmam a perda gradual do poder de compra das famílias ao longo do último ano, devido ao aumento da inflação causado pelas tarifas de Trump e às consequências da guerra contra o Irã no mercado de energia.
O salário médio por hora aumentou 3,2% no último ano, abaixo da inflação (3,5%). A taxa de participação na força de trabalho está agora no seu nível mais baixo desde fevereiro de 2021.
Quanto às “máximas históricas” do mercado de ações que Trump comemora, para muitos não passam da bolha da IA, pendurada nas Sete Magníficas, na febre de centros de dados e nos acordos circulares entre as Big Techs envolvidas.
Se o mercado de ações está nas “máximas históricas”, o mercado de títulos do tesouro, os treasuries, está sob compressão máxima, com os juros de longo prazo, os “rendimentos” dos papeis de 10 e 30 anos, alcançando respectivamente 4,75% e 5,22%, e com os especuladores querendo mais e mais para seguirem rolando a dívida, que está prestes a estourar a marca dos US$ 40 trilhões.
SUFOCO NOS ‘TREASURIES’
E para evitar a desova dos treasuries – e consequente piora do ágio -, o secretário do Tesouro Scott Bessent saiu em socorro do iene, numa operação que, computando as duas pontas, EUA e Japão, chega a US$ 100 bilhões, para adiar a desvalorização recorde da moeda japonesa.
Premido pelas eleições que se avizinham em novembro para o Congresso e a gasolina em alta atrapalhando suas fake news, Trump acabou reclamando nas redes sociais que as petroleiras – isto é, Exxon, Chevron e Shell – estejam tirando vantagem na guerra dele de escolha contra o Irã, lucrando com o fechamento de Ormuz.
Para complicar, as reservas estratégicas de petróleo, que vem sendo esvaziadas por Trump no esforço para enganar os eleitores de novembro, atingiram seus níveis mais baixos desde 1983.











