Proposta fortalece a ação de todas as policias e será um golpe demolidor da bandidagem. Flávio, no entanto, é contra a proposta e trabalha para que ele não seja votada
A Proposta de Emenda à Constituição (PEC) para unificar forças de segurança e aumentar o poder das polícias no combate ao crime no Brasil está parada no Senado fruto da sabotagem dos bolsonaristas. Eles impedem que a matéria seja votada e, com isso, ajudam os criminosos.
Já tínhamos assistido ao trabalho sujo do deputado Guilherme Derrite, bolsonarista de São Paulo, de tentar enfraquecer o trabalho da Polícia Federal durante os debates na Câmara sobre o projeto antifacção do governo Lula. O projeto endurecia penas e aumentava os recursos para a inteligência policial. Derrite queria proibir a ação da PF no estados e impedir o arresto de bens dos criminosos.
Na época a sabotagem foi barrada no Senado. Agora, a PEC da Segurança Pública é uma proposta mais radical, que altera a Constituição para ampliar fortemente a integração entre União, estados e municípios no combate ao crime organizado. O texto cria o Sistema Único de Segurança Pública (SUSP), transforma a Polícia Rodoviária Federal em Polícia Viária Federal e formaliza as guardas municipais.

A proposta amplia a competência da PF para atuar com foco em crimes interestaduais e transnacionais cometidos por milícias privadas e organizações criminosas. Além disso, a proposta insere na Constituição os fundos de segurança pública e penitenciário, garantindo o repasse de recursos fixos e usando parte do dinheiro de apostas esportivas. É uma injeção poderosa de recursos para a repressão ao crime.
Sem dúvida, a proposta é um golpe demolidor nas organizações criminosas. Ela intensificaria em muito as já frequentes operações da PF contra o crime organizado. Ampliaria o raio de ação da PF. Além disso, reforçaria as polícias estaduais e integraria as ações em todos os níveis. Para fechar o cerco aos bandidos, a proposta permite que as antigas guardas municipais virem polícias municipais com foco em policiamento ostensivo local. Um aumento significativo na segurança das comunidades.
A PEC da Segurança Pública é uma iniciativa do governo Lula para fortalecer os trabalho das polícias estaduais e municipais e o policiamento federal, com ênfase na modernização e aumento da eficiência policial. É, como diz Lula, uma proposta que visa o “combate ao crime desde o andar de cima até a esquina”. Então, por que o bolsonarismo sabota a votação do projeto? Por que ele está parado no Senado? Por que Flávio Bolsonaro é contra a sua aprovação?
Não há outra explicação a não ser a proteção aos bandidos. A sabotagem à PEC da Segurança Pública só serve aos criminosos. Este comportamento do bolsonarismo é a desmoralização cabal de seu discurso demagógico de que eles, e só eles, combatem o crime no Brasil. É mentira. Esta sabotagem, atrasando o fortalecimento das polícias, é a prova disso. Esta sabotagem está ajudando os criminosos. E é isto de fato o que Flávio Bolsonaro vem fazendo ao combater a PEC da Segurança.
E não é à toa que isso acontece. Ele tem um histórico de ligações com as milícias e com grupos de extermínio do Rio de Janeiro, desde que era deputado estadual. Homenageou o pistoleiro Adriano da Nóbrega, um perigoso assassino profissional, chefe de uma das milícias mais mortais do Rio. Albergou em seu gabinete, como funcionárias fantasmas, a mãe e a mulher do miliciano. Cometeu crimes de rachadinha e de lavagem de dinheiro numa loja de chocolates de fachada montada por ele na Barra da Tijuca.
Portanto, só com esta ficha corrida já daria para compreender por quais razões ele protegeria criminosos. Mas, informações mais recentes revelam que Flávio Bolsonaro tem ligações não só com milícias, mas também com integrantes da facção criminosa Comando Vermelho (CV). Suas ligações com criminosos da facção são impressionantes. Rodrigo Bacellar, por exemplo, ex-presidente do legislativo do Rio, é um aliado íntimo de Flávio. Ele era o preferido do senador para suceder Claudio Castro no governo do estado. Pois bem, Rodrigo Bacellar está preso por ligações com o Comando Vermelho.
Mas, não foi só isso. Flávio indicou dois secretários para o governo de Castro. Foram eles, o Secretário Estadual de Esportes do Rio de Janeiro, Alessandro Pitombeira Carracena. Este “cidadão” também foi preso durante a Operação Anomalia, da Polícia Federal, por trabalhar para o Comando Vermelho. E o outro foi o secretário de Defesa do Consumidor, Gutemberg Fonseca. Este, também um indicado por Flávio, acabou atrás das grades, adivinhem por que. Por ligações também com a facção criminosa do Rio de Janeiro.
Ou seja, as ligações não são só com as milícias e grupos de extermínio. É diretamente com as facções criminosas. Agora fica claro que o discurso de ser “duro com o crime” é pura demagogia barata para esconder as ligações íntimas com as facções. Isso explica também por que motivo os bolsonaristas sabotam a PEC da Segurança Pública do governo Lula e impedem a sua votação no Senado. Suas articulações contra o fortalecimento das polícias tentam adiar ao máximo a votação do projeto e são uma ação política em prol da bandidagem.
SÉRGIO CRUZ










