Suprema Corte rejeita pela 2ª vez recurso de Trump contra condenação por agressão sexual

Escritora E. Jean Carroll acusou Trump de agressão sexual (Kena Betancur/AFP)

A Suprema Corte dos Estados Unidos rejeitou pela segunda vez a tentativa do presidente Donald Trump de anular o veredicto do júri de maio de 2023 que o considerou culpado de agressão sexual e difamação contra a escritora E. Jean Carroll.

No final de junho, a corte já havia se recusado a analisar o recurso de Trump contra o veredicto original, que o condenou a pagar indenização à ex-jornalista e colunista, agora com 82 anos. A sentença o tornou o primeiro presidente dos EUA condenado por agressão sexual. Por se tratar de um caso civil, Trump não enfrenta consequências criminais; o crime já prescreveu.

Em livro lançado em 2019, Carroll acusou Trump de tê-la agredido sexualmente em um provador de uma loja de departamentos de Nova York em 1996. No mês passado, por ordem de um juiz, Trump se viu obrigado a pagar finalmente os 5,6 milhões de dólares (29,2 milhões de reais) determinados na sentença.

Em outro processo por difamação em Nova York, Trump foi condenado a pagar a Carroll 83,3 milhões de dólares (435 milhões de reais). Trump também recorreu dessa decisão na Suprema Corte.

Ao tribunal, Carroll disse que foi estuprada pelo bilionário na década de 1990 – ela não lembra a data ou o ano exato, registrou a CNN – durante um encontro fortuito em uma loja de departamentos de luxo e depois foi difamada ao tornar públicas as acusações.

Trump, que nega, optou por não testemunhar. Anteriormente, o bilionário alegara, supostamente para se contrapor à acusação de estupro, que Carroll “não fazia o seu tipo” – o tipo de explicação para cafajeste nenhum botar defeito. Ele acrescentara que a ex-colunista “inventara” tudo para aumentar as vendas de seu livro.

Os jurados – seis homens e três mulheres – deliberaram que as provas apresentadas configuravam abuso sexual e, a seguir, concluíram pela existência de difamação contra a escritora.

Como parte das provas da acusação, os jurados tiveram de ouvir trechos do famoso vídeo do “Trump apalpador”, oficialmente “Access Hollywood” de 2005 – que andou bombando nas redes sociais na eleição de 2016 – em que o bilionário confidencia a um entrevistador que as mulheres adoram deixar que as agarre.

“Historicamente, isso é verdade, com estrelas… se você olhar para os últimos milhões de anos”, disse Trump, que sempre negou as acusações de assédio sexual. E duas testemunhas depuseram no tribunal confirmando terem sido agredidas sexualmente por Trump.

De acordo com o depoimento de Carroll, ela esbarrou em Trump na loja Bergdorf’s, onde ele estava comprando um presente para outra mulher. A escritora concordou em ajudá-lo na escolha, e chegaram a olhar lingerie. Em seguida, após ter sido persuadida por Trump a ir a um provador, este bateu sua cabeça contra a parede e a estuprou.

A plausibilidade da acusação de Carroll foi questionada pela equipe de advogados de Trump, por nunca ter levado o caso à polícia nem gritado durante o suposto incidente. Mas dois amigos da escritora testemunharam que, sim, ela lhes contou sobre o estupro na época, mas que tiveram de jurar segredo porque Carroll temia que Trump usasse sua fama e riqueza para persegui-la.

De acordo com Carroll, o que a levou a quebrar o silêncio em 2017 foi o acolhimento, pela opinião pública, das denúncias de mulheres contra as violações cometidas pelo poderoso produtor de Hollywood, Harvey Weinstein.

O julgamento de Trump foi tornado possível por uma lei aprovada no estado de Nova York que torna, sob o ponto de vista civil, imprescritíveis as ofensas sexuais. Agora, durante o escândalo do abafamento dos “arquivos Epstein”, tornou-se pública – o que ainda não foi investigado e julgado mas está registrado pelo FBI – acusação de uma mulher de que, aos 13 anos, foi estuprada por Trump.

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