Turquia pede à Interpol “alerta vermelho” a Netanyahu por crimes contra flotilha de Gaza

Barcos sequestrados por Israel levavam mantimentos e solidariedade a Gaza (Redes Sociais)

O Ministério da Justiça da Turquia acabou de solicitar, nesta sexta-feira (21), um alerta vermelho da Interpol contra o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, como parte de um processo criminal pelo ataque das forças israelenses em maio contra a flotilha que tentava levar ajuda humanitária para o povo palestino de Gaza, que foi seguido de sequestro e tortura de dezenas de ativistas.

Na solicitação, a justiça turca informou haver expedido um mandado de prisão contra Netanyahu no dia 14 de julho.

Um alerta vermelho da Interpol é uma solicitação a todas as forças policiais dos países membros para localizar e provisoriamente prender um suspeito para ser extraditado. A Interpol primeiro vai analisar o pedido da Turquia antes de decidir se vai emitir o alerta vermelho.

Em uma postagem na rede social X, o ministro da Justiça turco, Akin Gurlek, comunicou a decisão de acionar a Interpol pelo ataque israelense em águas internacionais contra os ativistas a bordo da ‘Flotilha Global Sumud’.

“O processo judicial relativo ao ataque perpetrado contra ativistas da Flotilha da Liberdade Global, que zarpou para entregar ajuda humanitária em Gaza, prossegue com determinação. No processo de número 2026/108 Esas, do 11º Tribunal Penal de Istambul, 35 réus são processados, entre eles Benjamin Netanyahu”, comunicou o ministro Gurlek.

“No âmbito do processo, em conformidade com os mandados de prisão expedidos em 14 de julho de 2026 contra Binyamin Netanyahu e Afek Moskovitch, sob a acusação de “Genocídio”, foi solicitada ao nosso Ministério do Interior a emissão de um alerta vermelho em nível internacional para a sua busca, e os documentos pertinentes foram encaminhados ao nosso Ministério das Relações Exteriores”.

“Benjamin Netanyahu e Afek Moskovitch estão sendo julgados sob acusações de “Crimes contra a Humanidade”, “Genocídio”, “Privação da Liberdade de Pessoa Qualificada”, “Lesão Dolosa”, “Tortura”, “Danos à Propriedade”, “Saque Qualificado” e “Sequestro de Veículos de Transporte” em conexão com a intervenção armada contra civis que entregavam ajuda humanitária a Gaza em águas internacionais e a detenção de ativistas”, disse.

O réu Afek Moskovitch é um tenente do 71º Batalhão do exército israelense, que está sendo acusado de participação na destruição do Hospital da Amizade Turco-Palestina em Gaza, em março do ano passado. Moskovitch produziu provas contra si mesmo postando no Istagram imagens de disparos sendo efetuados contra o hospital e uma faculdade de medicina adjacente da Universidade Islâmica de Gaza.

Contra Netanyahu já existe mandado de prisão do Tribunal Penal Internacional em aberto e Israel está sob investigação da Corte Internacional da Justiça de Haia por genocídio em Gaza.

No início de agosto, Turquia, Arábia Saudita e Paquistão anunciaram o Pacto de Meca, de defesa mútua.

Com Israel em plena campanha eleitoral, a questão da “ameaça turca” entrou na ordem do dia em Tel Aviv. Nesta semana, Israel realizou ataques contra a base aérea de Abu al-Duhur, no norte da Síria, a 70 km na fronteira com a Turquia, sob pretexto de que Damasco iria autorizar um destacamento militar turco nessa base, atualmente desativada, o que violaria suposto acerto com Tel Aviv contra a presença militar turca na Síria.

Israel aproveitou a derrubada do governo Assad em 2024, para tomar a zona-tampão anexa ao Golã ocupado e agora suas tropas estão a 25 km da capital síria, além de ter tentado arrastar os drusos para o separatismo. E o regime supremacista passou a falar abertamente do “Grande Israel”, depois do genocídio em Gaza e quando tenta repetir no sul do Líbano a política nazista de terra arrasada.

Na quinta-feira, o ministro da ‘Defesa’ israelense, Israel Katz, fez ameaças contra a Turquia: “O presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, está arrastando a Turquia para aventuras perigosas na Síria”, postou o arquissionista em uma rede social, cujo exército é chamado, pela Relatora Especial da ONU, Francesca Albaneses, de “o mais imoral” do mundo e ocupa ilegalmente terras palestinas, da Síria e do Líbano.

Compartilhe

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *