Funcionária de Tarcísio em SP elogia “liderança excepcional” de Hitler

Roselaine Batalha Silva ocupava a função de dirigente da Unidade Regional de Ensino de Mogi das Cruzes - Foto: Reprodução/X

Uma dirigente de ensino do governo Tarcísio de Freitas (Republicanos) foi afastada do cargo depois de exaltar Adolf Hitler como um “líder excepcional” e recomendar a leitura de biografias do ditador nazista e de Benito Mussolini como referências para o desenvolvimento de lideranças. Roselaine Batalha Silva ocupava a função de dirigente da Unidade Regional de Ensino de Mogi das Cruzes e fez as declarações durante uma reunião virtual com cerca de 30 diretores de escolas, realizada em 12 de agosto.

Ao falar sobre liderança, Roselaine afirmou que os educadores poderiam ler biografias “mesmo dos maus” e citou Mussolini e Hitler. “Podem ler biografias no geral, é estimulante, mesmo dos maus”, declarou. Em seguida, mencionou o livro Mein Kampf, escrito por Hitler: “É tão estimulante que, se eu tirar o nome, ele convence países e jovens até hoje”.

A dirigente foi além e afirmou que, apesar de reconhecer “o caminho” seguido pelo ditador nazista, ele seria um “líder excepcional”. “A gente sabe qual era o caminho de Hitler, mas ele era um líder excepcional e isso ninguém pode negar”, disse. Na sequência, estabeleceu uma relação entre essa suposta capacidade de liderança e o trabalho dos diretores escolares.

A fala provocou reação imediata entre profissionais da educação. A Apeoesp (Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo) apresentou representação ao Ministério Público de São Paulo (MP-SP), pedindo providências diante do que classificou como manifestações elogiosas a ditadores fascistas e nazistas. O sindicato argumentou que Hitler não foi citado apenas como personagem histórico, mas apresentado como exemplo de liderança.

O MP-SP informou nesta quarta-feira (26) que recebeu a representação e distribuiu o caso à Promotoria de Justiça da área de Educação de Mogi das Cruzes, que deverá investigar os fatos e avaliar a adoção das medidas legais cabíveis.

A deputada estadual Professora Bebel (PT-SP) também repudiou o episódio. “É inadmissível e revoltante que uma Dirigente de Ensino, em reunião da Secretaria da Educação, cite como exemplos de liderança ditadores e autores de crimes contra a humanidade”, afirmou. Para Bebel, é especialmente grave que a declaração tenha partido de uma ocupante de cargo de confiança do governo Tarcísio.

A Secretaria Estadual da Educação confirmou a retirada de Roselaine da função e informou que instaurou apuração para verificar as circunstâncias das declarações. Em nota, afirmou que “não compactua com manifestações que contrariem os princípios e valores que orientam a educação pública do Estado de São Paulo” e que a declaração “não representa, em hipótese alguma, o posicionamento da pasta”.

A justificativa oficial, porém, não elimina a questão política que o episódio expõe: Roselaine não era uma professora falando em uma conversa particular. Ela ocupava uma posição de direção dentro da estrutura da Secretaria da Educação e estava orientando gestores da rede pública. O caso revela, portanto, o tipo de pessoa que chegou a ocupar uma função de confiança em uma das áreas mais sensíveis do governo estadual.

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