Equipes de resgate seguem nesta sexta-feira (28) buscando mais de 1500 pessoas desaparecidas na fronteira entre o Nepal e a Região Autônoma do Tibete, na China, após inundações e avalanches repentinas causarem mais de 550 mortos na manhã de quarta-feira e deixarem vilarejos inteiros destruídos.
No Nepal, a polícia informou que 547 pessoas morreram na catástrofe. Na China, a emissora estatal CCTV registrou cinco mortes e informou que outras 558 pessoas continuam desaparecidas. São cerca de mil os desaparecidos no Nepal. Forças do Nepal resgatam 350 pessoas que estavam presas em túnel após avalanche.
Militares, socorristas e moradores participam das buscas, que chegaram a ser suspensas na parte desta manhã devido à ameaça do rompimento de um lago que se formara, conforme captado na véspera em imagens aéreas, mostrando grandes quantidades de água marrom se acumulando em uma bacia sem saída visível.
O governo chinês mobilizou cerca de 800 socorristas na Região Autônoma do Tibete, juntamente com cães farejadores e lanchas rápidas, para agilizar as operações de resgate, informou a agência de notícias oficial Xinhua. No Nepal, equipes de resgate tentam abrir caminho em meio à lama e aos escombros em busca de sobreviventes.
David Fisher, diretor da Federação Internacional das Sociedades da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho (FICV) no Nepal, alertou para a dimensão da catástrofe, após a qual “vilas inteiras e áreas comerciais foram dizimadas”.
Tanto o primeiro-ministro chinês, Li Qiang, quanto seu homólogo nepalês, Balendra Shah, viajaram para as áreas afetadas para supervisionar os esforços de busca e resgate.
De acordo com as primeiras análises, a tragédia foi provocada pelo colapso parcial de uma geleira, desencadeando uma torrente de água e lama com força semelhante à de um tsunami, que varreu aldeias inteiras e derrubou pontes e barragens. Com tamanha violência, que chegou a ser registrado como um abalo sísmico de magnitude 5,2 pelos sensores do Serviço Geológico dos Estados Unidos.
Um vídeo gravado do lado chinês por uma câmera de segurança mostra o momento em que uma torrente de lama e detritos engolfou um prédio de vários andares enquanto dezenas de pessoas corriam para salvar suas vidas. Entre os desaparecidos, há numerosos turistas estrangeiros e peregrinos hindus.
Segundo uma contagem preliminar do Conselho de Turismo do Nepal, as autoridades ainda não localizaram 178 cidadãos indianos, 65 cidadãos americanos, 53 cidadãos ucranianos, 51 cidadãos malaios, 35 cidadãos australianos, 33 cidadãos britânicos e 25 cidadãos canadenses. A Espanha informou que quatro de seus cidadãos ainda estão desaparecidos. A China indicou que havia cerca de cem cidadãos chineses desaparecidos no lado nepalês.
“UM CEMITÉRIO GIGANTESCO”
A enchente devastou o vale do rio Trishuli, no distrito de Nuwakot, ao norte de Katmandu, e o vale do rio Bhote Koshi, a leste da capital, no Nepal. À AFP, um refugiado nas montanhas da cidade nepalesa de Timure, Omkar Joshi, de 35 anos, relatou que “acabou tudo”. “Agora não passa de um cemitério gigantesco. Só restou areia e pedras encharcadas de sangue humano.”
A enchente atingiu Syabrubesi, ponto de partida da popular trilha de Langtang no Himalaia, bem como outras áreas utilizadas por viajantes na peregrinação hindu a Kailash Mansarovar. Laloma, de 27 anos, contou à AFP que passou a noite inteira em uma escola com cerca de 100 pessoas. “O resto (da cidade) desapareceu”, afirmou.
O Ministério das Relações Exteriores da China afirmou que especialistas e órgãos oficiais dos dois países participam das avaliações sobre as causas da tragédia. Segundo o porta-voz da pasta, Lin Jian, os trabalhos ainda estão em andamento. Pesquisadores analisam imagens de satélite e dados coletados em campo para determinar exatamente como o desastre começou.
As chuvas de monção, de junho a setembro, frequentemente causam inundações e deslizamentos de terra mortais no sul da Ásia. Segundo cientistas, as mudanças climáticas estão aumentando a frequência e a intensidade desses tipos de eventos climáticos extremos. Além disso, o aquecimento global provoca o derretimento das geleiras em todo o mundo, aumentando o risco de inundações.










