Por decreto, Trump encena rebatizar de ‘Lago América’ o que o mundo chama há séculos de Lago Ontário
O primeiro-ministro do Canadá, Mark Carney, reagiu à encenação do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que assinou uma ridícula ordem executiva “determinando” que o Lago Ontário passe a ser chamado de “Lago América”.
Carney afirmou que o nome Lago Ontário “tem mais de 400 anos e deriva da palavra Wendat Ontari’io, que significa lago bonito ou lago grande”. Ele lembrou, inclusive, que a denominação antecede tanto a existência da Confederação do Canadá quanto a Declaração de Independência dos Estados Unidos.
“Sabemos que a América está mudando. Suas relações comerciais, suas políticas externas, seus monumentos nacionais, seus hidrônimos. Os canadenses também sabem que nomear a realidade significa chamá-la de Lago Ontário — então, agora e sempre”, afirmou.
Ontário também é o nome da mais populosa província canadense.
A medida de Trump é semelhante à adotada em janeiro, quando determinou a mudança do nome do Golfo do México para “Golfo da América” em mapas e documentos oficiais dos Estados Unidos. Alteração ignorada no mundo inteiro, ainda mais no México, e motivo de zombaria dentro dos próprios EUA.
No fundo, Trump queria mesmo era rebatizar o Ontário com seu próprio nome, Trump, mas não sentiu espaço, ainda mais com as fatídicas eleições marcadas para novembro que o ameaçam com a perda do controle do Congresso, além das enormes manifestações “No Kings” (Sem Reis).
Possivelmente, para a encenação pesaram as declarações do primeiro-ministro da província, Doug Ford, chamando Trump de “perdedor”, “valentão” e “rei das falências” por causa do novo tarifaço e prometendo cortar a energia elétrica que exporta para os EUA.
BULLSHIT
Chama a atenção como essa ânsia doentia de Trump de inflar o próprio ego com tais idiotices [bullshit, diriam os americanos] e simular um papel na história e no mundo se estende aos próprios EUA – como faz ao tentar impor ao Centro Kennedy de Artes a inclusão de seu próprio nome, ameaçando fechá-lo se não for atendido.
Como se isso pudesse elevá-lo à estatura a que JFK alcançou, a ponto de ser assassinado pelo establishment imperial, após a Crise dos Mísseis de 1962 e de sua recusa ao plano do Estado-Maior dos EUA, para atentados de falsa bandeira dentro do país para culpar Cuba e invadir a Ilha, a tristemente famosa Operação Northwoods.
Anteriormente, Trump já arremetera contra o Canadá, com a conversa de que deveria ser o “51º estado dos EUA” e até chamando o primeiro-ministro Carney de “governador”. (Além de também ter ameaçado anexar a Groenlândia, o Canal do Panamá e a Venezuela).
DÓLAR POR DÓLAR
A partir do próximo dia 8 de setembro, entrarão em vigor as contramedidas canadenses ao novo tarifaço de Trump, com taxas compensatórias de 15%, 25% e 50% sobre cerca de 700 produtos importados dos EUA, correspondentes a US$ 20 bilhões, de setores-chave como aço, laticínios, eletrodomésticos, máquinas agrícolas e celulose e papel,
Na semana passada o Canadá anunciou o fim das negociações com Washington devido à intransigência de Trump e ao ser atingido por uma tarifa extraordinária de 50% sobre aproximadamente 28 bilhões de dólares em bens canadenses.
“As mudanças de última hora nos termos propostos pelos EUA eram injustas, antieconômicas e colocavam em dúvida a confiabilidade de qualquer acordo”, enfatizou.
Particularmente, pesaram na decisão do Canadá a pretensão de Washington de impor um veto sobre acordos com terceiros países na questão das terras raras, as ameaças sobre a indústria automobilística canadense, que é extremamente vinculada à dos EUA, e as pressões contra o status bilíngue do Canadá, ou seja, direcionadas contra a província de Quebec e, em última instância, contra a identidade nacional dos canadenses.
Também está em discussão o futuro do acordo USMCA [Estados Unidos-México-Canadá], sucessor do acordo de livre comércio Nafta assinado em 1994. Sob a arrogância do regime Trump, o Canadá vem sendo forçado a discutir a própria identidade e buscar maior autonomia.
“Estamos trabalhando em todos os aspectos do seguinte: fortalecimento do Canadá”, anunciou Carney, explicando que estão desenvolvendo uma estratégia destinada a atrair investimentos para novos negócios e grandes projetos de infraestrutura.











