“O país reúne condições para mudar definitivamente de patamar econômico. E nós vamos dar esse salto de qualidade”, garantiu o presidente no ato que reuniu 7 mil mulheres em BH
O presidente Lula afirmou, neste sábado (29), em Belo Horizonte, que pretende dedicar seu próximo mandato a transformar o Brasil em uma das economias mais ricas e poderosas do mundo. Ele já havia falado sobre isso na Bahia, antes de viajar para Minas Gerais.
“O Brasil reúne condições para mudar definitivamente de patamar econômico, desde que invista em educação, ciência, tecnologia, industrialização e agregação de valor às suas riquezas naturais”, disse o presidente. Nós vamos fazer uma revolução na Educação deste país”, garantiu.
Ele voltou a afirmar que o Brasil não pode ficar essencialmente exportando matérias-primas. Ele disse que o Brasil pode ser um país com grande desenvolvimento industrial. “Vamos nos tornar também produtor e exportador de conhecimento e tecnologia”, defendeu Lula.

“Quando a gente dominar a tecnologia toda, a gente não vai mais exportar só soja, milho e minério. A gente vai exportar conhecimento para importar inteligência”, acrescentou o presidente. “O Brasil precisa formar cada vez mais engenheiros, pesquisadores, matemáticos, cientistas e profissionais especializados para conquistar autonomia em setores estratégicos”, destacou.
Para Lula, o crescimento econômico brasileiro não pode depender apenas da exportação de produtos agrícolas e minerais, mesmo que o país seja altamente competitivo nessas áreas. O objetivo, segundo ele, é utilizar as riquezas brasileiras como base para a construção de cadeias produtivas mais sofisticadas, capazes de gerar empregos qualificados, inovação, renda e desenvolvimento tecnológico dentro do próprio país.
O presidente também destacou o potencial brasileiro em terras raras e minerais críticos, recursos que ganharam importância estratégica diante da expansão dos veículos elétricos, das energias renováveis, da inteligência artificial, dos semicondutores e de outras tecnologias avançadas.
Lula defendeu que essas riquezas sejam exploradas de maneira soberana e associadas à industrialização nacional. A intenção é evitar que o Brasil simplesmente exporte os recursos em estado bruto e posteriormente compre produtos industrializados de maior valor agregado.
O evento em Belo Horizonte reuniu cerca de 7 mil pessoas e deu protagonismo a mulheres. O encontro também reafirmou o apoio à candidatura do presidente Lula e colocou as vozes femininas no centro do debate sobre os próximos passos das políticas de proteção, autonomia econômica, saúde, educação, moradia, ciência e combate às desigualdades.

A ministra da Ciência, Tecnologia e Inovação, Luciana Santos, destacou o crescimento da participação de meninas em bolsas de iniciação científica e as medidas adotadas para assegurar melhores condições às cientistas que se tornam mães. Entre as iniciativas mencionadas estão a extensão de prazos para pesquisadoras durante a maternidade, permitindo que a chegada dos filhos não represente uma penalização em suas carreiras acadêmicas e científicas.
A ministra das Mulheres, Márcia Lopes, ressaltou a importância da participação feminina para a democracia brasileira e lembrou a recriação do Ministério das Mulheres, em 2023, como um marco na retomada de uma estrutura específica para a formulação de políticas públicas para essa parcela da população. “O Brasil quer as mulheres vivas, livres e sem medo”, afirmou Márcia Lopes.
Sheila de Carvalho apresentou resultados do Pacto Brasil Contra o Feminicídio e afirmou que, em seus primeiros 200 dias, a iniciativa contribuiu para uma redução de 15% nos casos de feminicídio. Ela também destacou medidas destinadas a acelerar a concessão de proteção às vítimas e a prisão de agressores.
O enfrentamento à violência contra as mulheres apareceu como um dos principais eixos do ato, com a defesa de uma atuação articulada do Estado para prevenir crimes, acolher vítimas e responsabilizar agressores.
A ex-ministra Miriam Belchior destacou o impacto das políticas habitacionais sobre a autonomia feminina. Segundo ela, 2,1 milhões de moradias foram entregues em nome de mulheres. Belchior também relacionou a construção de creches e escolas à necessidade de diminuir a sobrecarga enfrentada pelas brasileiras, que continuam assumindo parcela desproporcional das tarefas domésticas e do trabalho de cuidados.
A ampliação dos serviços públicos, nesse sentido, foi apresentada não apenas como política social, mas também como instrumento para garantir às mulheres maior autonomia econômica e condições de participação no mercado de trabalho.
A ministra da Cultura, Margareth Menezes, abordou a dupla jornada feminina e criticou a escala de trabalho 6×1. Segundo os dados apresentados durante o encontro, as mulheres chegam a trabalhar quase 64 horas por semana quando são somadas as jornadas profissionais e domésticas.
Margareth também ressaltou o potencial da cultura e da economia criativa para gerar emprego, renda e oportunidades para as mulheres, destacando os investimentos realizados por meio de instrumentos como a Lei Rouanet.
Assista ao ato em BH










