No primeiro programa de sua campanha eleitoral, presidente diz ter recebido um “país destruído”, defende o fim da escala 6X1 e a soberania nacional, e denuncia as mazelas do candidato da extrema-direita
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em seu primeiro programa eleitoral na televisão como candidato à reeleição, após afirmar que recebeu um “país destruído” pelo governo de Jair Bolsonaro, lançou o bordão de que o Brasil “está pronto para muito mais”.
“A gente reconstruiu o Brasil, mas ainda não está satisfeito, porque o Brasil está pronto para muito mais”, declarou o Lula, ao reforçar aquele que será o principal mote de sua campanha.
Entre os compromissos assumidos explicitamente pelo candidato estão o fim da escala de trabalho 6X1, que escraviza milhões de trabalhadores brasileiros e cuja proposta de mudança constitucional deverá ser aprovada pelo Congresso Nacional na próxima semana, depois de uma articulação feita pelo próprio Lula com os presidentes das duas casas legislativas.
Lula também enfatizou a importância do estímulo às empresas de tecnologia e o fortalecimento da indústria nacional como premissa para a geração de empregos de qualidade e o país voltar a crescer em patamares mais elevados.
O presidente também defendeu a soberania nacional diante das ameaças externas provocadas, principalmente, pelo governo de Donald Trump, dos EUA, um confesso aliado do clã Bolsonaro no Brasil.
O programa apresentou o atual mandato como um período de reconstrução do país e defendeu que um novo governo seria necessário para ampliar as entregas. Foram citados o controle da inflação, a geração de empregos e a isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil.
O programa de Lula também tratou do tema da segurança pública com prioridade, assinalando a necessidade de fortalecer as ações contra as facções criminosas e o crime organizado. Aliás, por iniciativa do governo, foi aprovado um projeto que reforça o papel do estado, em especial, da Polícia Federal, no combate às facções que atuam no crime organizado, sendo que a atual gestão desbaratou uma das maiores quadrilhas que atuavam no setor de combustíveis, com fortes ligações com o mundo financeiro, a operação “Carbono Oculto”.
A peça que foi exibida também reservou espaço para políticas voltadas às mulheres. A primeira-dama Janja da Silva participou da propaganda para abordar medidas do governo nessa área, enquanto Lula prometeu intensificar o enfrentamento à violência contra a mulher, notadamente o chamado feminicídio.
Na campanha de Lula, diferente da propaganda no rádio, os primeiros minutos fizeram menções ao pedido de dinheiro feito por Flávio ao banqueiro preso Daniel Vorcaro, do Master, para financiar o filme “Dark Horse”, sobre Jair Bolsonaro. O caso está sob investigação. Também são citadas as investigações sobre o senador, como o caso das ‘rachadinhas’, em que ele foi denunciado em 2020 pelo Ministério Público do Rio de Janeiro por organização criminosa e lavagem de dinheiro.
Lula, que encerrou o bloco, abriu seu espaço com denúncias contra o adversário. A campanha apresentou uma espécie de “currículo” de Flávio e mencionou as investigações de “rachadinha” em seu antigo gabinete, a homenagem a Adriano da Nóbrega, apontado como chefe de milícia, e o pedido de dinheiro ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro para financiar um filme sobre Jair Bolsonaro. Ao fim do trecho, classificou o senador como “o pior dos Bolsonaro”.
Na outra parte do programa, Lula recorreu à própria biografia e leu uma carta dirigida ao “Lula de 1979”, em referência ao período em que liderava greves de metalúrgicos em São Bernardo do Campo, em São Paulo. A peça retomou momentos de sua trajetória política e destacou a defesa da democracia e da soberania nacional, e procurou apresentar o presidente como alguém capaz de enfrentar grupos poderosos e o sistema de privilégios.
“Agradeço a Deus por ter sido generoso comigo. Chego a essa eleição mais forte, mais preparado do que nunca”, afirmou Lula.











