Em resposta ao ataque norte-americano no domingo (30) à ilha iraniana de Larak, no Estreito de Ormuz, a Guarda Revolucionária Islâmica do Irã anunciou sua retaliação durante a madrugada com mísseis balísticos a duas bases aéreas dos EUA na Jordânia, Rei Hussein e Al Azraq, “atingindo a infraestrutura técnica e de reparo, bem como áreas de implantação de caças inimigos, e causando graves danos”. Há relatos de fortes explosões.
Em declaração dirigida aos EUA, a Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC) afirmou ainda que “a agressão e o crime não conseguirão resolver o desespero do inimigo em enfraquecer o controle da República Islâmica sobre o Estreito de Ormuz”.
Foi o primeiro ataque norte-americano ao Irã no período de um mês.
Na manhã desta segunda-feira, as forças iranianas também atacaram com dezenas de drones suicidas as posições de helicópteros e tropas americanas na base de Al Minhad, nos Emirados Árabes Unidos, de acordo com o Hispan TV.
Como registrou a agência de notícias Tasnin, o traiçoeiro ataque a Larak resultara “no martírio e ferimentos de vários de nossos combatentes e compatriotas”, conforme denunciou a IRGC, anunciando a “punição do agressor”.
“O inimigo americano-sionista, buscando mais uma vez reviver seu papel sinistro e justificar a opinião pública, baseado em seu desespero para resolver problemas internos e em sua credibilidade diminuída entre os países da região, realizou um ato agressivo ao atacar a Ilha Lark”, registrou a agência de notícias Tanin.
Segundo a mídia iraniana, pelo menos duas pessoas morreram e outras duas ficaram feridas no ataque dos EUA à ilha iraniana. O ataque foi lançado da Jordânia, de acordo com a agência de notícias iraniana Fars.
Conforme confidenciaram fontes militares norte-americanas à mídia imperial, os alvos seriam “duas rampas de lançamento” de minas na ilha de Larak. Na semana passada, Trump postara que sua Marinha teria desminado Estreito de Ormuz, que estaria liberado e sob o controle do Pentágono. O que foi sido categoricamente desmentido por Teerã e pelos números do tráfego real de navios na área.
O porta-voz da Guarda Revolucionária Islâmica, Brigadeiro-General Hossein Mohebi, classificou o ataque à ilha iraniana como “um erro estratégico e letal do regime de Trump” e alertou que os EUA “pagarão o preço por esse erro de cálculo, tanto econômica quanto militarmente”.
A incursão contra a Ilha de Larak foi desencadeada pouco após a guerra de escolha de Trump, junto com seu cúmplice Israel, contra o Irã ter completado seis meses, sob a percepção quase geral, no mundo inteiro, de que foi um enorme fracasso.
O que pretendia ser uma rápida operação de decapitação da liderança iraniana e mudança de regime se transformou em uma indisfarçável derrota, diante da firmeza e unidade do Irã, da destruição das principais bases americanas no Golfo e absoluto fiasco em reabrir o Estreito de Ormuz, que esteve aberto por mais de quatro décadas e agora está de volta ao controle soberano de Teerã, enquanto Trump amarga uma enorme reprovação à guerra dentro dos EUA, a dois meses das eleições intermediárias.
Pelo Estreito de Ormuz, transitam 20% do petróleo negociado no planeta, 30% do gás, 30% dos fertilizantes e boa parte do gás hélio indispensável para a fabricação de chips avançados – o que por si só já traduz o impasse provocado pela agressão de Trump de 28 de fevereiro.
O ataque à ilha de Larak também serve de termômetro para outro fracasso, o da “guerra econômica” anunciada pelo banqueiro Bessent, com os principais países que comercializam com o Irã já tendo sinalizado que não admitirão o achaque – a começar pela China, que compra 80% do petróleo iraniano.










