Previsão do Focus é Selic em 13,75% no fim de 2026
A previsão para os juros no fim de 2026 continuou em 13,75% pela quarta semana consecutiva, segundo o Boletim Focus do Banco Central, divulgado nesta segunda-feira (31). O cartel de bancos consultado pelo BC não abre mão nem um tantinho dos juros elevados, se beneficiando da alta taxa Selic com os títulos da dívida pública, das taxas abusivas no crédito, engordando seus lucros e sufocando empresas e consumidores.
A elevada taxa de juros do Banco Central (BC) é o fator em comum que levou uma dúzia de grandes empresas a entrarem com pedidos de recuperação judicial ou extrajudicial neste mês de agosto. Entre elas estão: Casas Bahia, o Grupo Gennius – dono do Habib’s, Braskem, Grupo Toky – dono das marcas Tok&Stok e Mobly, Alliança Saúde, a rede de mercado St Marche, entre outras.
Isso porque, no ambiente de juros altos, o custo para rolar as dívidas das empresas e o crédito de curto prazo para tocar as operações do dia a dia se tornam altamente caros, enquanto a demanda por bens e serviços enfraquece, a inadimplência dos consumidores cresce e o poder de compra das famílias encolhe com a restrição na concessão de crédito e o comprometimento da renda com as altas taxas de juros.
Com o apoio do governo Bolsonaro, o BC tornou-se formalmente “independente” em 24 de fevereiro de 2021, sob a justificativa de que a blindagem do órgão contra interferências política favoreceria um quadro de menores taxas de juros estruturais a longo prazo. Puro engodo. Desde 2022, a taxa Selic permanece em patamares acima dos dois dígitos, contribuindo para o agravamento das condições financeiras das empresas.
Em março de 2026, a Selic atingiu a máxima de 15%. A taxa média da Selic nos últimos 5 anos (2021 a meados de 2026) gira em torno de 11% ao ano. Neste intervalo de tempo, até houve cortes no nível da Selic, mas as reduções foram pífias, com ciclos de curta duração.
Neste momento, após o quarto corte minguado na Selic, o patamar da taxa nominal está fixado em 14%. Isso impõe aos brasileiros uma taxa de juro real (após o desconto da inflação) superior a 10% a.a. – o maior juro real do planeta.
Esse cenário só favorece a alocação do capital no mercado financeiro à custa dos investimentos produtivos capazes de alavancar empregos e o crescimento econômico no país.
Em julho deste ano, a taxa média de juros das operações de mercado variou em 47,7% ao ano, segundo números do próprio BC. No crédito livre às empresas, os juros chegam a 25,4% a.a., enquanto para as pessoas físicas, a taxa média de juros situou-se em 60,0% a.a.
Os bancos e instituições financeiras projetam uma Selic de 13,75% ao final de 2026, com a inflação sob controle e em desaceleração. O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15), indicador de prévia da inflação, recuou 0,40% em agosto deste ano. Com o resultado, o índice em oito meses acumula alta de 3,09% e, em 12 meses, de 4,24%.
Já o IPCA, indicador oficial de inflação do país, variou em alta de 0,07% em julho, mantendo o movimento de arrefecimento em relação ao mês imediatamente anterior. No ano, o indicador acumula alta de 3,44% e, em 12 meses, o índice ficou em 4,44%.











