Candidata do PSDB adverte que EUA vão explorar terras raras e deixar só ‘um buraco no chão do Brasil’

Juliana Benício também é do Instituto Teotônio Vilela, do PSDB. Candidata a deputada federal (Foto: Reprodução - Instagram)

Juliana Benício (RJ), secretária de Inovação, Ciência e Tecnologia de Niterói, afirmou que “emprego de engenheiro, patente e valor, todos ficam lá fora. Em Goiás fica apenas a extração”

A candidata do PSDB à Câmara dos Deputados, Juliana Benício (RJ), denunciou que a venda da mina de terras raras de Minaçu (GO) para a estrangeira USA Rare Earth deixará no Brasil somente “um buraco no chão”, enquanto toda a riqueza vai para os Estados Unidos.

Juliana foi secretária de Inovação, Ciência e Tecnologia de Niterói e atua no Instituto Teotônio Vilela, do PSDB.

A venda da Serra Verde, única produtora em escala comercial de terras raras fora da Ásia, para a USA Rare Earth foi financiada diretamente pelo governo dos Estados Unidos, explicou.

Como observou a candidata, toda a produção da mina localizada em Goiás pelos próximos 15 anos já está vendida para os Estados Unidos.

“E o que fica para o Brasil? A mina tira o minério e faz a primeira transformação aqui. A etapa que muda o jogo, separar os elementos, está prevista nos Estados Unidos. Metal e liga, na Inglaterra. Ímã, em Oklahoma. Emprego de engenheiro, patente e valor, todos ficam lá fora. Em Goiás fica apenas a extração”, afirmou.

A negociação, que foi celebrada pelo ex-governador de Goiás, Ronaldo Caiado (PSD), não cria obrigação de nenhuma fábrica para o processamento das terras raras no Brasil ou de transferência de tecnologia.

Para a candidata do PSDB, o Brasil só deveria negociar as terras raras com empresas estrangeiras que garantam a instalação de fábricas no país, com “gente daqui formada para operar e parte da produção ficando para o país. Quem não assinar isso, não leva o negócio”.

Juliana Benício reclamou ainda que o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) selecionou a Serra Verde, que agora é da USA Rare Earth, para um financiamento de projetos de processamento das terras raras no Brasil. O dinheiro ainda não foi entregue e não está claro qual o projeto apresentado pela empresa.

“Esse crédito do BNDES é mais barato do que o dos bancos daqui e serve para ampliar a mina. Ou seja, se o BNDES emprestar sem fábrica aqui, o brasileiro vai pagar juros baixos para a empresa americana crescer e tudo o que ela produz hoje vai embora”, acrescentou.

Juliana destacou que o governo dos Estados Unidos deu dinheiro para a USA Rare Earth comprar a Serra Verde para que seus próprios interesses fossem beneficiados. “Usaram o Estado para tirar o risco e deixar a empresa privada investir. O país mais capitalista do mundo faz política industrial toda semana, apesar de muita gente achar que não”, disse.

Ela diz ser favorável ao investimento estrangeiro no Brasil, “mas investimento estrangeiro não pode significar abrir mão do nosso interesse estratégico”.

“Os outros países protegem seus interesses”, disse e defendeu que também precisamos “proteger os nossos”.

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