Integrada pela Rússia, China, Irã, Índia, Paquistão, Casaquistão, Bielorrússia, Tajiquistão, Uzbequistão e Quirguistão, a Organização de Cooperação de Xangai discute na cúpula a criação de seu banco de desenvolvimento e de um sistema de pagamentos próprio
Os presidentes Xi Jinping (China) e Vladimir Putin (Rússia) se reuniram nesta segunda-feira (31) à margem da Cúpula da Organização de Cooperação de Xangai, que se realiza em Bishkek, capital do Quirguistão, na Ásia Central, sob o lema “25 Anos da OCX: Juntos Rumo à Paz Sustentável, ao Desenvolvimento e à Prosperidade”.
Constituída pela Rússia, China, Irã, Índia, Paquistão, Casaquistão, Bielorrússia, Tajiquistão, Uzbequistão e Quirguistão, a OCX discutirá a criação de seu banco de desenvolvimento e a adoção de um sistema próprio de pagamentos, bem como o apoio a Teerã. Entre os países “parceiros de diálogo”, também presentes a Turquia, Mongólia e Armênia. O secretário-geral da ONU, António Guterres, também participará.
No encontro, o presidente Xi destacou que, em maio deste ano, o Presidente Putin realizou com sucesso uma visita de Estado à China e salientou o consenso sobre o aprofundamento da cooperação entre a China e a Rússia.
O intercâmbio e a cooperação entre as duas partes mantêm um vigoroso ritmo de desenvolvimento, afiançou Xi, assinalando que “sob nossa orientação estratégica e com os esforços conjuntos de ambos os lados, a base para o desenvolvimento das relações China-Rússia se tornará mais sólida, o ritmo será mais determinado e as perspectivas serão mais promissoras” .
Putin afirmou que, diante de um cenário internacional turbulento e complexo, a Rússia e a China continuaram a aprofundar sua “cooperação estratégica abrangente, pautada na igualdade, na confiança mútua e no apoio mútuo”. As relações Rússia-China se tornaram “um modelo de relações interestatais”.
Para Xi, o mundo está passando por profundas mudanças, uma transformação que ocorre uma vez a cada século, com incertezas e fatores imprevisíveis significativamente maiores no cenário internacional. “No entanto, a busca pela paz, desenvolvimento, cooperação e resultados vantajosos para todos, por parte dos povos de todos os países, permanece inalterada”.
Ele enfatizou que a Organização de Cooperação de Xangai (OCX) tem “a importante missão de manter a estabilidade regional e promover o desenvolvimento regional”. A China – acrescentou Xi – está disposta a trabalhar com todas as partes, incluindo a Rússia, para discutir conjuntamente o plano de desenvolvimento da OCX, ajudá-la a alcançar um progresso constante e de longo prazo e fortalecer seu papel na liderança da reforma da governança global e “na promoção de um mundo multipolar equitativo e ordenado”.
O presidente Putin sublinhou que seu país está pronto para fortalecer a cooperação com a China em comércio, energia, indústria, transporte, ciência e tecnologia, intensificar os intercâmbios interpessoais e promover novas conquistas nas relações bilaterais. “Com os esforços conjuntos de todas as partes, a Organização de Cooperação de Xangai (OCX) se tornou uma plataforma de cooperação regional altamente influente e eficiente”, registrou.
“A Rússia e a China devem fortalecer continuamente a unidade e a cooperação dentro da organização e desempenhar um papel de liderança. A Rússia está disposta a fortalecer a coordenação e a cooperação com a China em mecanismos multilaterais como as Nações Unidas, o BRICS e o G20, apoiar a China na organização da Reunião Informal de Líderes da APEC e salvaguardar conjuntamente a paz, a estabilidade e a prosperidade mundiais”.
A cúpula se encerra nesta terça-feira (1º de setembro). “A OCX incorpora na prática a ideia de um mundo multipolar”, afirmou à Sputnik a pesquisadora Daria Saprynskaya, do Instituto de Estudos Orientais da Academia Russa de Ciências.
“Para a Rússia, assim como para os demais participantes, a OCX incorpora a ideia de multipolaridade: uma ordem mundial em que muitos, e não apenas um, governam. Esse formato demonstra concretamente como um sistema mundial não eurocêntrico pode ser construído, onde o Irã goza dos mesmos direitos que a China ou a Rússia”, afirmou.
Uma medida do peso da OCX é que a área territorial combinada dos países membros é de aproximadamente 36 milhões de quilômetros quadrados, o que equivale a cerca de 65% do território da Eurásia. Sua população combinada ultrapassa 3,4 bilhões de pessoas, quase metade da população mundial, e continua a crescer. E pelo critério de paridade de poder de compra, três de seus países-chave, China, Índia e Rússia, são respectivamente a primeira, a terceira e a quarta economias do planeta.










