Lula: “escândalo do Master é o maior roubo da história do Brasil”

Presidente em uma solenidade (Foto: Ricardo Stuckert)

“Roubaram milhões de pessoas de muitos Estados e municípios”. “Foi no meu governo que ele [Daniel Vorcaro] foi preso e seu banco fechado”, completou o presidente, defendendo investigação

O presidente Lula afirmou, na sexta-feira (4), que a “democracia não pode ficar refém de vazamentos seletivos” e defendeu que todos os envolvidos no escândalo do Banco Master devem ser investigados, “sem blindagem a ninguém, doa a quem doer”.

“O escândalo do Banco Master é o maior roubo da história do Brasil. Roubaram milhões de pessoas de muitos Estados e municípios. O banqueiro líder do esquema”, Daniel Vorcaro, “tem relações com muita gente poderosa. Há suspeita de políticos e agentes públicos envolvidos”, disse.

“Foi no meu governo que ele foi preso e seu banco fechado”, destacou. O presidente tem razão. Fora a privatização de grandes estatais, esse foi o maior roubo da história.

“Nossa democracia não pode ficar refém de vazamentos seletivos. (…) o povo brasileiro espera que o presidente da Suprema Corte e a Procuradoria-Geral da República liderem um processo que garanta a integridade e a confiança nas investigações”, acrescentou.

Lula fez a declaração em um momento em que o Supremo Tribunal Federal (STF) vive uma crise entre seus membros, com o ministro André Mendonça investigando ilegalmente Alexandre de Moraes.

Ao mesmo tempo, André Mendonça paralisou as investigações sobre a relação de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) com Daniel Vorcaro. Áudios comprovam que eles negociaram o pagamento, por parte do banqueiro, de R$ 134 milhões.

O presidente Lula disse acreditar que “só agindo com firmeza e transparência vamos garantir que as instituições sejam respeitadas pela sociedade brasileira”, e acrescentou que os sistemas político e judiciário brasileiros precisam de “reformas profundas”.

O Banco Master foi liquidado pelo Banco Central, durante o governo Lula, por ter montado um esquema de fraudes financeiras e lavagem de dinheiro. Só do Banco Regional de Brasília (BRB), o Master provocou um rombo de R$ 12,2 bilhões com títulos falsos. Tuda a negociação foi autorizada pelo então governador bolsonarista do DF, Ibaneis Rocha.  

Com o decorrer das investigações, foi descoberto que a carteira da previdência dos servidores do Rio de Janeiro, o Rioprevidência, foi entregue ao Banco Master pelo governador Cláudio Castro (PL), que é aliado de Flávio. Foi quase R$ 1 bilhão de rombo na previdência dos servidores do Rio.

Também foi revelado que o senador bolsonarista Ciro Nogueira (PP-PI) recebeu pagamentos do Master para apresentar textos que favoreciam o banco, como no caso de uma emenda que ficou conhecida como “emenda Master”.

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