Situação da Alemanha é desastrosa, admite Barbel Bas, ministra do Trabalho

Sob pressão de Washington, Berlim trocou as fontes da Rússia pelo gás caro dos EUA. (Getty images-ru/picture aliance)

A ministra do Trabalho alemã, Barbel Bas, qualificou a situação do país como catastrófica e destacou a perda da liderança tecnológica de Berlim. “Estamos enfrentando uma situação orçamentária desastrosa”, afirmou Bas.

“Estamos enfrentando guerras que impactam nossa economia e não detemos mais a liderança tecnológica em muitos setores, já que a China e outros países nos ultrapassaram. É aí que devemos concentrar nossos esforços”, acrescentou.

Ao comentar os números do desemprego no país, que já ultrapassaram os três milhões, Bas admitiu que “grandes empresas — especialmente nos setores automotivo, químico e siderúrgico — estão cortando empregos em um processo que se estenderá por vários anos”.

INDÚSTRIA AUTOMOTIVA EM QUEDA

A ministra propôs “investir nesses setores do futuro para garantir novamente o emprego e as bases industriais”, acrescentando que “reduzir a burocracia — que é um fardo para muitos — é apenas uma pequena parte do quadro geral”.

Descrevendo a situação como alarmante, Barbel Bas observou que as oportunidades de formação profissional prática estão diminuindo. No entanto, ela enfatizou que é crucial “oferecer alternativas às gerações mais jovens”.

Encurralado pela desastrosa situação orçamentária da Alemanha – com um déficit equivalente a 3,1% do PIB no primeiro semestre do ano -, o chanceler Friedrich Merz disse que manter a união entre os países europeus e juntar as forças é a única maneira da Alemanha se manter firme contra os EUA e a China.

MERZ

“Dadas as disparidades globais que estamos presenciando, as disputas tarifárias com os americanos e as consideráveis ​​desigualdades com a República Popular da China, se quisermos nos manter firmes, inclusive no campo tecnológico, só há um caminho: fazê-lo em conjunto com a Europa e com as tecnologias mais modernas”, afirmou na quinta-feira (3), durante uma visita à biorrefinaria da UPM Biochemicals GmbH.

Merz defendeu o mercado único europeu e o espaço Schengen, sublinhou a importância de pertencer à União Europeia e alertou que abandonar estas áreas colocaria em risco os investimentos tecnológicos no país.

Já o setor automotivo na Alemanha, uma das principais indústrias do país, foi um dos mais afetados nos últimos anos, atingindo mínimas históricas pressionado pela concorrência e pelo avanço dos veículos elétricos e pelo abandono da energia russa (gás, petróleo e carvão).

Ao final do primeiro semestre de 2026, o setor automotivo contava com 42.300 trabalhadores a menos do que no ano anterior, representando uma queda de 5,8% — o maior declínio entre os principais setores industriais. A indústria automotiva emprega atualmente 691.500 trabalhadores, seu nível mais baixo desde 2005.

Em 2022, a Rússia fornecia cerca de 40% do gás consumido pela Europa. Cerca de 55% do gás natural, 52% do carvão e 34% do óleo mineral usado na Alemanha vinha de Moscou. Na época, os EUA tomaram medidas fora da legalidade pressionando para proibir as importações de petróleo russo, o que consideraram que prejudicaria a economia da Rússia, com sanções econômicas que a atingiram de forma grave, tudo com o intuito de tentar forçar o governo Putin a se dobrar e recuar da decisão de impedir o cerco da Rússia pelas forças da Otan, ainda mais diante da possibilidade da entrada de armas nucleares em um país nazificado como havia se tornado a Ucrânia.

Na sequência do boicote aos fluxos energéticos tradicionais da Rússia, com destaque para o gás natural e o petróleo, os alemães aumentaram sua dependência de alternativas mais caras, incluindo o gás natural liquefeito importado dos Estados Unidos.

Além da Volkswagen, a BMW informou que destinará até 1 bilhão de euros (aproximadamente R$ 5,88 bilhões) para custos de reestruturação. A Mercedes-Benz suspendeu os bônus de verão dos funcionários, e 5,5 mil trabalhadores aderiram a programas de desligamento voluntário.

Enquanto isso, montadoras chinesas como BYD e Chery ampliam a participação no mercado europeu, impulsionadas pela demanda por veículos elétricos e pelo aumento dos custos dos combustíveis.

A fabricação de automóveis exige quantidades enormes de energia, especialmente para a produção de aço, alumínio, produtos químicos e baterias. Consequentemente, o aumento dos custos de energia impactou toda a cadeia de suprimentos, elevando o custo final dos veículos e reduzindo as margens de lucro das montadoras.

Essa tendência afeta marcas de automóveis mais importantes, como BMW, Porsche e Volkswagen, entre outras.

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