Dino torna pública investigação e proíbe comparsa de Flávio Bolsonaro de deixar o país

Ministro do Supremo Tribunal Federal, Flávio Dino (Foto: Antonio Augusto - STF)

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Flávio Dino, proibiu o deputado bolsonarista Mario Frias (PL-SP), ex-ministro de Jair, de deixar o Brasil e tornou públicos todos os documentos da operação realizada pela Polícia Federal nesta quinta-feira (10).

A investigação revelou que o caixa da Go Up Entertainment, que produziu o filme “Dark Horse”, era abastecido com dinheiro público enviado por deputados aliados de Flávio Bolsonaro.

Mario Frias enviou R$ 2 milhões em emendas parlamentares para empresas de Karina Gama, produtora de “Dark Horse”, sem que os gastos fossem comprovados. O próprio deputado bolsonarista aparece como roteirista do filme.

O ex-secretário da Cultura de Jair Bolsonaro e os demais investigados tiveram seus passaportes recolhidos.

As empresas de Karina Gama, que supostamente atuavam em diferentes ramos, como aulas de jiu-jitsu, edição de livros, produção de filmes e instalação de wi-fi, fizeram movimentações de centenas de milhões de reais entre si, o que é, segundo os investigadores, uma forma de esconder a origem do dinheiro.

A produtora de “Dark Horse” também recebeu pelo menos R$ 65 milhões enviados por Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, após negociação com Flávio Bolsonaro.

Segundo Flávio Dino, os documentos obtidos “apontam risco concreto de alinhamento de versões, combinação de depoimentos, ocultação ou destruição de provas e interferência na colheita” de provas.

Como resumiu o ministro, “há fortes indícios de uma única organização criminosa, estruturada para captar, disseminar e ocultar recursos provenientes de verbas públicas”.

A investigação comprovou que Mario Frias enviou R$ 2 milhões em emendas para projetos que nunca foram realizados. Os investigadores suspeitam que o dinheiro foi, na verdade, desviado para a produção de “Dark Horse”.

As empresas de Karina ainda receberam R$ 150 mil da deputada Bia Kicis (PL-DF) e R$ 1 milhão de Marcos Pollon (PL-MS). Mesmo que nenhum dos dois seja de São Paulo, os parlamentares enviaram as emendas para um projeto de Karina nesse Estado.

Dentro dos projetos das empresas de Karina, o Instituto Conhecer Brasil (ICB), os gastos eram direcionados para empresas cujos donos eram doadores da campanha eleitoral de Mario Frias.

A investigação aponta que foram cometidos os crimes de peculato, fraude em contrato, contratação direta ilegal, falsificação de documento particular, falsidade ideológica, uso de documento falso, emprego irregular de verbas, advocacia administrativa, lavagem de dinheiro e organização criminosa.

Compartilhe

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *