Diretor da Federação dos Policiais Federais diz que posição predominante entre os integrantes da corporação é pela defesa da retirada total do sigilo dos casos Master e INSS
Flávio Werneck, diretor de estratégia sindical da Federação Nacional dos Policiais Federais (FENAPF), em entrevista à jornalista Mônica Bergamo (FSP), assegurou que grande parte da categoria defende a retirada total do sigilo das investigações que envolvem o Banco Master e também as do INSS no Supremo Tribunal Federal (STF). Werneck está licenciado da função pois é candidato a deputado federal no Distrito Federal pelo PDT.
O policial federal é integrante de sete grupos de profissionais de diferentes segmentos e posições ideológicas e, com base nessas relações, considera predominante a avaliação de que a intervenção do ministro do STF, André Mendonça, que afastou na terça (8) Andrei Rodrigues do comando da PF (Polícia Federal), representa uma ingerência indevida no órgão. Esse é o sentimento dominante entre os integrantes da instituição.
Segundo Werneck, há uma avaliação geral de que o ministro bolsonarista faz uso político da função de magistrado para divulgar trechos específicos e atacar alvos previamente selecionados, o que traz prejuízos à investigação, podendo, inclusive, gerar a nulidade do processo.
Aliás, muitas opiniões do mundo político e jurídico consideram que um dos objetivos dessa ação seletiva é, precisamente, a anulação de um processo no qual, até o momento, surgiram indícios e provas robustas do envolvimento do candidato Flávio Bolsonaro com o Banco Master.
Werneck também afirma ser “esdrúxula” a comparação feita por Mendonça entre o relatório interno da PF divulgado na quinta (3) e o monitoramento de ativistas e críticos do governo por órgãos de inteligência que foi feito durante o governo de Jair Bolsonaro. O documento apontava que Mendonça teria interferido na condução das investigações das operações Sem Desconto e Compliance Zero.
O policial resgatou o fato de que os dossiês contra policiais e servidores públicos foram elaborados durante a gestão de Mendonça no Ministério da Justiça.
Segundo ele, a indisposição do magistrado com a atual direção da PF contrasta com a ausência de questionamentos durante o governo Bolsonaro, quando houve quatro trocas no comando da corporação.
O presidente do STF, Edson Fachin, decidiu nesta quarta-feira (9) suspender a decisão de Mendonça e manteve Rodrigues no cargo de diretor-geral da instituição.











