Operador confirmou tudo. Ele foi flagrado pedindo R$ 134 milhões a Vorcaro. A PF está investigando o crime. Mendonça bem que tenta mas não conseguirá manter sigilo sobre esta parte do escândalo. O Brasil exige transparência total
A quebra de sigilo do financiamento do filme Dark Horse, determinada pelo ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), revelou que foram feitos 7 repasses ilegais de dinheiro de Daniel Vorcaro para Flávio Bolsonaro num total de R$ 65 milhões.
O depoimento do operador do banqueiro, dono da empresa Entre, Antônio Carlos Freixo Júnior, conhecido como “Mineiro”, é taxativo de que Flávio está envolvido até o pescoço numa operação criminosa e deve responder por seus crimes. Ele não poderia nem estar disputando as eleições.
Mesmo pressionado pelo presidente do STF, ministro Edson Fachin, para abrir o sigilo das investigações do caso Master que estão sob sua relatoria, André Mendonça ainda tenta manter sigilo de algumas partes que comprometem Flávio Bolsonaro.
Mas, de nada adianta seguir acobertando. O operador de Vorcaro, dono da Entre, abriu todo o jogo. O que Mendonça está procurando ocultar está sendo aberto pelo empresário que repassou o dinheiro para Flávio Bolsonaro.
O crime já tinha sido flagrado por um áudio obtido pela Polícia Federal. Neste áudio Flávio Bolsonaro aparece pedindo R$ 134 milhões ao banqueiro, dono do Master. O banqueiro foi preso por roubar bilhões de servidores, aposentados e do banco público de Brasília. Estava mais do que caracterizado o ato criminosos de Flávio. O estranho é que Mendonça não tenha avançado na quebra de todo o sigilo telemático do senador pego em flagrante pedindo e recebendo o dinheiro roubado pelo Banco Master.
Mendonça preferiu ficar abrindo inquéritos contra o filho do presidente Lula – três no total – e fazer insinuações envolvendo outros ministros do STF com Vorcaro, ao invés de avançar nas investigações do crime de Flávio. Seu plano era abrir uma crise no STF para tirar o foco de Flávio. O senador e candidato pegou R$ 65 milhões diretamente das mãos do banqueiro. Não mostrou nenhum contrato. Como disse o operador do banqueiro: era pagamento de propina.
A quebra do sigilo, determinada por Flávio Dino, desmontou a versão de Flávio que não havia dinheiro público envolvido no caso. A quebra mostrou que, além do dinheiro roubado por Vorcaro ser dinheiro público, houve também emendas parlamentares sendo embolsadas pelo esquema criminoso dos bolsonaros. O dinheiro foi todo parar num fundo chamado Havengate, localizado nos EUA, e administrado por Eduardo Bolsonaro.
O Brasil exige punição para o criminoso desvio de dinheiro do Master por Flávio Bolsonaro. Ele decidiu ignorar a cobranças e não apresentou nenhuma prestação de contas e nem o tal contrato que ele teria feito com Vorcaro. Ele, que cobra publicamente, o contrato do escritório da mulher de Alexandre de Moraes, com o Master, que existe e é público, e certamente é imoral, deve apresentar o seu contrato com Vorcaro. Só que ele não quer apresentar nada.
Mesmo com a quebra parcial do sigilo, os dados mostram que a PF estava investigando Flávio. A decisão foi tomada em julho a pedido da PF e veio à tona agora após o STF tornar pública a documentação do caso. O despacho de Mendonça está disponível porque foi incluído no inquérito principal do caso Master, mas a investigação focada em Flávio segue sob sigilo, o que significa que Mendonça ainda tenta blindar o criminoso.
As mensagens reveladas pelo portal ‘Intercept Brasil’ confirmam pelas palavras do próprio Flávio, que ele pediu ao banqueiro Daniel Vorcaro R$ 134 milhões para a produção da obra, dos quais R$ 65 milhões foram pagos, de acordo com planilhas apreendidas pela PF. A investigação sobre Flávio foi pedida pela Polícia Federal (PF) e teve o aval da Procuradoria-Geral da República (PGR)
“A Polícia Federal requer a instauração de PET sigilosa em apartado, vinculada ao INQ 5026, para apurar a possível prática dos crimes de lavagem de dinheiro, evasão de divisas, corrupção e outros delitos correlatos, que teriam sido praticados, em tese, pelo Senador da República Flávio Nantes Bolsonaro, no contexto de financiamento para a produção de obra cinematográfica denominada Dark Horse junto ao Banco Master do banqueiro Daniel Bueno Vorcaro (…) Autorizo, nos termos do artigo 21, inciso XV, do Regimento Interno do Supremo Tribunal Federal, a instauração de procedimento investigatório vinculado ao INQ 5026 para apuração da hipótese criminal delineada pela autoridade policial”, escreveu Mendonça.










