Revolucionários do Iêmen dão duro golpe em EUA e Arábia Saudita ao tomarem cidade portuária

Revolucionários iemenitas botaram sauditas pra correr nas cercanias do estreito de Bab El Mandab (Mohammed Huwais/AFP)

A tomada, pelos revolucionários iemenitas, da cidade portuária de Al-Mokha, que fica no sudoeste do Iêmen, no Mar Vermelho perto do estreito de Bab el-Mandeb, nesta quinta-feira, 10, coloca o grupo rebelde muito perto de assumir o controle do estreito.

Al-Mokha é um ponto estratégico que pode favorecer muito as forças revolucionárias iemenitas – que já ocupam grande parte do Iêmen liberado do jugo americano-saudita, inclusive a capital Sanaa – e podem impor um bloqueio marítimo no Estreito de Bab al-Mandeb, uma rota comercial importante para a exportação de petróleo da Arábia Saudita, ainda mais sob o fechamento do Estreito de Ormuz, no Golfo Pérsico.

Em uma entrevista para o site de notícias britânico Middle East Eye, Corey Ranslem, CEO do grupo de segurança marítima Dryad Global, disse que essa vitória dos revolucionários da organização AnsarAllah (denominados pela mídia ocidental de houthis) “os coloca um passo mais perto de ter o controle total do Estreito de Bab el-Mandeb”.

“Acho que será mais fácil para os houthis exercerem controle em Bab el-Mandeb do que para o Irã no estreito de Ormuz, porque os EUA não têm recursos militares tangíveis na área”, disse.

O Ansarallah está em guerra contra as forças lideradas pelos sauditas, que têm o apoio dos americanos e israelenses, que por sua vez estão em guerra contra o Irã, aliado do AnsarAllah.

A vitória dos revolucionários mostrou uma capacidade logística surpreendente: depois de um intenso combate contra as forças leais aos sauditas, além de tomarem Al-Mokha avançaram ainda mais: posicionando tropas nas Ilhas Hanish, no meio do Mar Vermelho, e tomando a ilha de Zuqar depois de um ataque de foguetes coordenado com uma invasão com forças terrestres transportadas por barcos.

Os rebeldes também tomaram as instalações militares ao redor de Al-Mokha, como o Campo Jabal al-Nar, principal quartel-general das forças leais aos sauditas que operavam na costa oeste do Iêmen.

As Forças Armadas AnsarAllah também apreenderam um lote de armamento e veículos militares blindados sauditas no porto de Al-Mokha. Canais iranianos estão agora compartilhando as seguintes imagens do mártir Seyyed Ali Khamenei, repetindo sua previsão de que: “Num futuro não muito distante, as armas sauditas cairão nas mãos de combatentes islâmicos.”

De acordo com o canal de notícias libanês Al Mayadeen, a área tomada pelos houthis abrange mais de 1050 km2 do território ao longo do Mar Vermelho; mapa apresentado pelo Ansar Allah designa 2.600 km2.

EXPORTAÇÃO DE PETRÓLEO SAUDITA EM QUEDA LIVRE

Dados da empresa de análise de dados marítimos, Kpler, publicados pelo The New York Times, mostram que as exportações do petróleo da Arábia Saudita, no mês passado, sofreram uma queda para 3,2 milhões de barris por dia, o menor nível em 13 anos. Na última semana, os sauditas atravessaram somente duas cargas pela rota que passa pelo estreito de Bab el-Mandeb no Mar Vermelho.

A guerra dos americanos contra o Irã e fechamento do Estreito de Ormuz, por onde passavam 20% do petróleo comercializado no mundo, obrigou os sauditas, os maiores exportadores de petróleo, a procurarem por nova rotas para exportação, a partir dos oleodutos que chegam ao Mar Vermelho.

É aí que o bloqueio dos revolucionários iemenitas atua impedindo que as cargas de petróleo sauditas cheguem à Ásia, principal comprador, pelo Mar Vermelho, Oceano Índico e finalmente, Pacífico. O que força a um desvio pelo Canal de Suez e contorno da África como no tempo das caravelas, tornando mais caro e aumentando o tempo de entrega.

Não existe um bloqueio generalizado no Bab El-Mandeb. Os revolucionários iemenitas apenas estão bloqueando embarcações sauditas e israelenses. O atual bloqueio contra os sauditas foi declarado em julho deste ano, após bombardeio saudita à capital Sanaa, no retorno de uma delegação ao funeral de Ali Khamenei, violando trégua em vigor desde 2022, negociada com ajuda da China. Pelo Bab El-Mandeb passam 12% do petróleo exportado no mundo.

Em 2025, em repúdio ao genocídio de Israel em Gaza, o Iêmen bloqueou o trânsito de navios israelenses e de países cúmplices, como os EUA. Trump chegou a enviar para lá o porta-aviões nuclear USS Harry Truman, que teve de bater em retirada após revide iemenita com enxurrada de drones e mísseis, chegando a perder dois aviões F-18. Após o fiasco e a fuga, a Casa Branca declarou “vitória” e entrada em vigor de um cessar-fogo.

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