Zanin recebe da PF conteúdo de celular de Vorcaro que Mendonça fazia tudo para esconder

Ministro Cristiano Zanin durante sessão do STF — Foto: Gustavo Moreno/STF

Foram entregues também cópias ao ministro Gilmar Mendes e Alexandre de Moraes. Ficou provado que era possível entregar o conteúdo de Vorcaro que estava sob sigilo. Os crimes de Flávio deixarão de ser protegidos por Mendonça e virão à tona

A tentativa de André Mendonça de continuar acobertando os crimes de Flávio foi finalmente encerrada. O gabinete do ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), recebeu nesta segunda-feira (14) a cópia dos dados do celular do banqueiro Daniel Vorcaro. Foram entregues também cópias ao ministro Gilmar Mendes e Alexandre de Moraes.

Ficou provado que era possível entregar esse conteúdo para que os ministros da corte analisassem o seu conteúdo integral que vinha sendo mantido sob sete chaves pelo ministro bolsonarista André Mendonça. Zanin precisou determinar no domingo (13) que a Polícia Federal enviasse o conteúdo integral do celular apreendido pala Polícia Federal.

No mesmo domingo, André Mendonça voltou a pressionar o presidente do STF, ministro Edson Fachin, contra o compartilhamento de todo esse material. Ele usou como pretexto para manter o sigilo, que a liberação do material do telefone de Vorcaro poderia prejudicar investigações em andamento. os ministro disseram que sem isso não poderiam julgar o relatório elaborado por Mendonça.

Zanin argumentou que desejava “formar a sua convicção para estar apto” para o julgamento de terça. O magistrado entende que precisa conhecer o material que originou relatório da Polícia Federal (PF) que registra a troca de mensagens entre Daniel Vorcaro e Moraes, “independentemente de outras implicações que o material possa indicar”.

O ministro Gilmar Mendes também deu ordem semelhante à PF. O documento da PF, elaborado por ordem de Mendonça, apontou que o dono do Banco Master enviou mensagens a Moraes às vésperas de sua prisão, no ano passado. Este relatóriom, por óbvio, escondeu que o próprio Mendonça se reuniu secretamente com o dono do Banco Master. Ao requisitar as informações da PF, o ministro Zanin sustentou que as provas contidas no celular de Vorcaro “pertencem ao Plenário do Supremo Tribunal Federal e aos seus integrantes e não a um integrante específico” da Corte.

O ministro argumentou que, em sua avaliação, os dados têm de ser públicos porque já estão abrangidos pela derrubada do sigilo das informações e procedimentos que estão relacionados, de alguma forma, à petição que será analisada na próxima terça-feira, no plenário do STF. Segundo Zanin, a obtenção da íntegra dos dados visa permitir a “apreciação completa e necessária” do parecer emitido pela Procuradoria-Geral da República sobre o relatório que identificou Moraes como interlocutor de Vorcaro.

O chefe do Ministério Público Federal, Paulo Gonet, defendeu a anulação do documento, sob o argumento de que Mendonça não poderia ter determinado, sozinho, a elaboração do mesmo. Neste domingo, após determinação de Fachin e antes da ordem de Zanin, a Polícia Federal informou que teria “plenas condições técnicas” para encaminhar cópias do celular aos gabinetes de ministros do Supremo. Em seguida, Mendonça deu um despacho contrário ao compartilhamento das informações. Segundo ele, a abertura dos dados “somente contribuiria” para “tumultuar” o julgamento.

Mendonça tentou impedir que o conteúdo do celular de Vorcaro viesse a público. Chegou a fazer uma referência à declaração de Fachin sobre a necessidade de evitar “tumultos processuais” no caso. O ministro reproduziu a seguinte frase do presidente: “A gravidade dos fatos não autoriza atalhos”. E emendou: “Também não tolera subterfúgios ou desvios de rotas, rumo a outros interesses que não os da Justiça”.

No sábado, Fachin avocou para si a relatoria do caso de Moraes e abriu o caminho para também acumular as relatorias dos casos Master e das fraudes no INSS, ambas investigações que estavam sob responsabilidade de Mendonça.

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