“México jamais será colônia ou protetorado de ninguém”, diz Claudia Sheinbaum no Dia da Independência

Claudia Sheinbaum: “México não se curva, não se ajoelha e nunca se vende” (La Jornada)

Com a praça do Zócalo lotada na comemoração do 216º aniversário da Independência, a presidente afirmou que seu país “nasceu da rebeldia de um povo que se recusou a aceitar a injustiça como destino”

“O México não se curva, não se ajoelha e nunca se vende; o México jamais será colônia ou protetorado de ninguém”, afirmou a presidente Claudia Sheinbaum, aclamada por 300 mil homens e mulheres que tomaram a praça do Zócalo, na capital, nesta quarta-feira (16), na comemoração do 216º aniversário da Independência do império espanhol.

Diante da multidão, de representantes dos três poderes e de membros das Forças Armadas, e aos pés da bandeira monumental de 50 metros de altura, a presidente ressaltou que o México surgiu “da rebeldia de um povo que se recusou a aceitar a injustiça como destino”. Valorizando esta rica trajetória, Sheinbaum assegurou que “é responsabilidade de todas as gerações de mexicanos e mexicanas honrar aquilo que custou vidas, defender a pátria, zelar pela soberania e concretizar a justiça social pela qual tantos e tantas entregaram suas vidas”.

Este ano, a mandatária acrescentou algumas das aclamações de seu primeiro “Grito” e incorporou uma menção a Antonia Nava, “La Generala”, insurgente que participou da luta pela Independência — que se juntou às forças rebeldes lideradas pelo general Morelos, atuando tanto nos cuidados médicos quanto no campo de batalha — e incluiu os povos afro-mexicanos no “viva” que, no ano passado, dedicou às mulheres indígenas.

Reiterando a necessidade de defender os migrantes e a soberania nacional, em meio às pressões do governo Trump nas áreas de segurança, migração e comércio, a presidente conclamou todos a se manterem coesos, mobilizados e conscientes para evitar retrocessos. “O México nasceu de mulheres e homens valentes que tiveram a coragem de desafiar o poder e de imaginar uma pátria justa e soberana”, apontou.

Frisando que o país foi forjado pela resistência indígena que, durante três séculos de domínio colonial, defendeu sua língua, sua cultura, seu modo de vida e sua organização frente ao império espanhol, Sheinbaum salientou que “nossa independência surgiu como uma causa popular”.

MIGUEL HIDALGO Y COSTILLA E O DESPERTAR DE UM CONTINENTE

Enquanto os movimentos de libertação dos países da América Latina foram comandados por militares que se rebelaram, apontou, “no México, o movimento foi liderado por um padre de aldeia, um homem do chamado baixo clero, próximo ao povo: Miguel Hidalgo y Costilla”. E o feito heroico, enfatizou, “foi o despertar do povo e o começo do despertar de um continente. Foi o levante daqueles que haviam vivido sob a opressão e decidiram que chegara o momento de conquistar sua liberdade”.

Lembrando que “a memória é a alma dos povos livres”, a líder mexicana defendeu que não se esquecesse que, durante todo o século XIX, assim como ocorre no presente, dois projetos de nação disputavam espaço: de um lado, um conservador, centralista e monárquico, que, em seu desespero, enaltecia a bota estrangeira e trouxe Maximiliano de Habsburgo; e do outro, o de ideias liberais, republicanas e de justiça social, cujos defensores preferiram dar a vida a se entregar. A gesta heroica do povo mexicano, assinalou, é a dignidade de uma nação que soube acompanhar Hidalgo e José María Morelos y Pavón, “é o orgulho daqueles que assumem o próprio destino”.

Embora alguns quisessem o contrário, frisou, “o México não se explica sem o seu povo nobre, corajoso e trabalhador” e tampouco “sem a sua luta constante pela soberania e pela independência”.

Na madrugada de 16 de setembro de 1810, “nasceu algo que acompanha o nosso povo há mais de dois séculos: a convicção de que a liberdade se conquista, a soberania se defende e a pátria justa e digna se constrói todos os dias”, enfatizou. Por isso, destacou, o “Dia da Independência” significa que “o México não se curva, não se ajoelha; o México nunca se vende”.

Com vivas à Independência e à soberania, a presidente concluiu: “que o México viva para sempre!”, bradou.

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