Manobra bolsonarista no STF deu chabu

Foto: Antonio Augusto/STF

Os ministros Flávio Dino e Gilmar Mendes tiveram um comportamento exemplar ao enfrentar, na sessão do STF, no último dia 15, com muita firmeza e lucidez, o cinismo de André Mendonça. A verdade crua e nua é que não se tratava de investigar ou não o ministro Alexandre de Moraes por supostas irregularidades, mas de investigar e, se fosse o caso, condenar todos os envolvidos em corrupção e outros crimes de comprometimento com o banqueiro Daniel Vorcaro.

Qual a verdadeira intenção arquitetada pelos aliados de André Mendonça, cabo eleitoral dentro do STF de Bolsonaro? Tirar do centro das atenções o candidato a presidente Flávio Bolsonaro, esse sim, investigado pela Polícia Federal por recebimento de mais de 61 milhões de reais do banqueiro (pediu 134 milhões). Além disso, demitiu quem investigava a fundo a questão: nada mais nada menos do que o diretor geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, e o diretor de inteligência, Leandro Almada.

Não que Flávio tivesse coragem de peitar os dois ministros. Longe dele pensar nisso, filhinho de papai que é. Mas, dado as circunstâncias, se submeteram, ele e Daniel Mendonça, à desmoralização pública.

A Globo disponibilizou um exército de jornalistas para editar repetidamente em “programas jornalísticos” sua versão dos fatos.

Trump acompanhou de perto o embate e chegou a intervir com ameaças aos ministros e à soberania nacional no ápice dos debates da sessão. É razoável supor que avaliava, naquela altura, que o estratagema havia subido no telhado.

O fato é que, com curto passar do tempo, está vindo à tona que, além de Alexandre de Moraes e André Mendonça, existem indícios de comportamento irregular de, pelo menos, mais três ministros: Dias Toffoli, relator do caso que se retirou quando revelado que era sócio de Vorcaro em um resort de luxo; Kassio Nunes Marques, devido à existência de pagamentos de Vorcaro à empresa de seu filho – confessou-se constrangido para votar e, o que é pior, é presidente do TSE (mas não se considera constrangido por isso) – e Luiz Fux, citado em delações premiadas de contatos seus e de seu filho com Vorcaro.

Enfim, a montanha pariu um rato.

CARLOS PEREIRA

Compartilhe

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *