A vitória do Partido da Esquerda nas eleições estaduais de Berlim, realizadas neste domingo (20), impôs mais uma derrota à coalizão governista do chanceler Friedrich Merz. Com a apuração das urnas na reta final, a legenda da esquerda consolidou sua vantagem e se prepara para tirar os democratas-cristãos (CDU) do comando da prefeitura.
Com o resultado, a principal candidata do partido, Elif Eralp, de 45 anos, está cotada para se tornar a primeira prefeita da capital alemã vinda da sigla — herdeira do antigo partido comunista da Alemanha Oriental pós-reunificação.
O Partido da Esquerda liderou a disputa com 25,3% dos votos, superando a CDU (19%) e a Alternativa para a Alemanha (AfD), de extrema-direita, que obteve 16%. O Partido Social-Democrata (SPD), ficou em quarto lugar, com 12,1%.
Centrada no custo exorbitante dos aluguéis na capital, a campanha de Eralp prometeu cumprir imediatamente a proposta de estatização de grandes empresas imobiliárias privadas, que detêm ampla parcela do parque habitacional da cidade.
“A partir de hoje, vamos mudar Berlim juntos”, declarou Eralp a apoiadores durante a comemoração dos resultados. Filha de imigrantes turcos que se refugiaram na Alemanha, ela destacou que o acesso à moradia é “o maior problema social” local e reafirmou o compromisso de “expulsar a especulação de Berlim”.
COMBATE À ESPECULAÇÃO IMOBILIÁRIA
A proposta de encampação prevê a transferência de cerca de 220 mil imóveis para o controle público, em conformidade com o referendo aprovado por 58% dos eleitores em 2021. A medida, no entanto, enfrenta resistência econômica e política: estimativas do SPD apontam que a desapropriação custaria em torno de 20 bilhões de euros.
O pleito na capital refletiu uma tendência nacional de rejeição aos partidos tradicionais de centro-direita e centro-esquerda, impulsionada pelas incertezas econômicas no país.
Para formar governo, o Partido da Esquerda precisará compor uma coalizão regional. Tanto o SPD quanto os Verdes sinalizaram abertura para negociações. Contudo, o líder dos Verdes, Felix Banaszak, condicionou a aliança a garantias firmes contra o antissemitismo, citando controvérsias recentes envolvendo setores do Partido da Esquerda na capital.
Em resposta prévia a acusações do gênero, a legenda reiterou que combate todas as formas de preconceito e discriminação, repudiando o antissemitismo, o racismo e o sexismo.
Na verdade, o que o líder do partido Verde, Felix Banaszak, trata como antissemitismo é a posição dos setores que repudiam o genocídio perpetrado por Israel contra os palestinos em Gaza.










