Barbárie de usurpadores israelenses: incendeiam casas e carros, roubam ovelhas, arrancam oliveiras milenares

Terrorismo de Estado israelense abusa de bombas e drones contra os palestinos (AFP)

Ativista de direitos humanos Aref Daraghmeh denunciou que, com o apoio dos militares, são constantemente registrados casos de perseguição e agressão contra pastores palestinos que se intensificaram nos últimos meses na região, bem como ataque a casas de moradores entre outros atos de violência na Cisjordânia ocupada

Sob a proteção das forças de ocupação israelense, assaltantes de terras judeus desencadearam na noite de sexta-feira (25) mais uma série de ataques contra diferentes pontos da Cisjordânia ocupada, deixando um rastro de demolições, destruição de plantações, roubo de animais, agressões físicas e violência contra as famílias palestinas. Os episódios, registrados nas regiões de Nablus, Belém e Ramallah, somam-se a uma escalada de violência que, segundo organizações de direitos humanos, vem se agravando nos últimos anos com o estímulo de Netanyahu e seus sequazes em diversos ministérios.

Exemplos não faltam; em Asira al-Qibliya, ao sul de Nablus, colonos roubaram ovelhas e um trator agrícola pertencentes a moradores palestinos. Segundo ativistas, o grupo atacou covardemente uma comunidade beduína nos arredores da cidade, agrediu moradores e levou os animais e o equipamento e o que agrava ainda mais o quadro: sob a proteção de soldados israelenses.

Ainda na região de Nablus, uma mulher foi atingida com spray de pimenta no rosto quando voltava para casa na área sul de Aqaba. Já na vila de al-Maniya, a sudeste de Belém, colonizadores arrancaram dezenas de oliveiras milenares na área conhecida como al-Qarn. De acordo com Ahmed Kawazbeh, chefe do Conselho da Vila, as árvores destruídas pertenciam às famílias al-Jabbarin e al-Mutawwar. Ele relatou que assaltantes de terras instalaram recentemente um posto no local, e que o desenraizamento das oliveiras faz parte de um esforço contínuo para esvaziar terras agrícolas palestinas e apropriar-se delas para fins de colonização.

No norte do Vale do Jordão, pastores foram perseguidos e agredidos por colonizadores na área de al-Sakout. O ativista de direitos humanos Aref Daraghmeh afirmou que a região tem sido alvo de ataques diários e cada vez mais frequentes, que incluem não apenas a perseguição a pastores, mas também investidas contra residências e atos de intimidação contra famílias inteiras. A escalada da violência colonial já forçou o deslocamento de diversas comunidades do Vale do Jordão nos últimos três anos.

Mais ao norte, na vila de Umm Safa, próxima a Ramallah, colonos atacaram a casa de Mohammad al-Obaiyat. Soldados israelenses confiscaram os celulares de membros da família durante a acometida, numa tentativa de impedir o registro do episódio ou a divulgação de detalhes sobre os crimes. A residência havia recebido recentemente, por parte das autoridades de ocupação, um portão de ferro instalado na entrada — medida apontada por moradores como parte de um esforço para isolar a família e intensificar restrições contra ela. Marwan Sabah, chefe do Conselho da Aldeia, afirmou que os atos de vandalismo ocorreram na área entre Umm Safa e a vizinha Burham, coincidindo com uma operação em grande escala das forças de ocupação na aldeia.

ATAQUES INCENDIÁRIOS AGRAVAM AS TENSÕES

O episódio se soma a uma série de ataques incendiários registrados em agosto contra propriedades palestinas na vila de Atara, também ao norte de Ramallah, quando casas e veículos foram queimados por colonos, agravando as tensões na região.

Segundo organizações de direitos humanos, a violência de colonos contra palestinos e suas propriedades – que inclui incêndios criminosos em residências e mesquitas, apedrejamentos, destruição de plantações e ataques a casas – é rotineira na Cisjordânia, sem qualquer responsabilização por parte das autoridades israelenses.

A região permanece sob intensa ocupação militar de Israel desde 1967, e cerca de 1 milhão de usurpadores israelenses vivem atualmente em assentamentos na Cisjordânia e em Jerusalém Oriental, considerados ilegais segundo o direito internacional e repudiados pelas Nações Unidas. Na avaliação dos moradores palestinos, a combinação entre a impunidade dos ataques e as restrições de movimento e construção impostas pela ocupação aprofunda uma situação já marcada pela vulnerabilidade e pela dificuldade de garantir segurança básica no dia a dia.

Conforme apurou a ONU, desde o início da nova onda de agressão à Faixa de Gaza, em 7 de outubro de 2023, Israel já assassinou mais de 73 mil palestinos, feriu mais de 175 mil – cerca de 43 mil com lesões profundas, incluindo traumas cerebrais, danos na medula espinhal, queimaduras severas e mutilações gerais que exigem reabilitação e cuidados de longo prazo.

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