Irã condena declarações “repugnantes” de Trump ameaçando aniquilar o país

O embaixador do Irã na ONU alertou para o risco a toda Humanidade contido nas ameaças de Trump (ParsToday)

Rechaço iraniano é formulado em carta entregue ao secretário-geral e ao Conselho de Segurança da ONU

O Irã entregou carta à Secretaria-Geral da ONU condenando categoricamente as ameaças explícitas de “aniquilação” feitas pelo ocupante da Casa Branca, Donald Trump. O protesto oficial foi formalizado pelo embaixador do Irã, Gholamhossein Darzi, dirigindo-se ao secretário-geral António Guterres e ao Conselho de Segurança da ONU.

No comunicado, Darzi afirmou que as declarações “descaradas e repugnantes” do presidente dos EUA “não são mera retórica política”, mas contradizem o direito internacional e a Carta das Nações Unidas.

O diplomata iraniano especificou que durante seu discurso perante a 81ª Assembleia Geral das Nações Unidas (AGNU), em 22 de setembro, Trump ameaçou abertamente destruir a República Islâmica.

“Destruirei a República Islâmica e farei isso rapidamente”, disse o presidente norte-americano, conforme consta na denúncia formulada por Darzi em sua carta, acrescentando que o ocupante da Casa Branca também afirmou que poderia enviar os iranianos “para o inferno”, sem qualquer possibilidade de sobrevivência ou esperança para as gerações futuras.

O funcionário iraniano sustentou que essas declarações fazem parte de um padrão de ameaças públicas contra o Irã por parte do presidente de um Estado-membro permanente do Conselho de Segurança, órgão que tem a principal responsabilidade de manter a paz e a segurança internacionais.

“NÃO É UMA QUESTÃO DE LINGUAGEM OU RETÓRICA POLÍTICA ”

A este respeito, argumentou que a questão “não é simplesmente uma questão de linguagem ou retórica política”, mas que se trata de uma ameaça explícita contra um Estado-membro soberano das Nações Unidas, na tribuna da Assembleia Geral, está diretamente relacionada com os princípios que proíbem a ameaça ou o uso da força e com as responsabilidades e o propósito fundamental da organização perante as ameaças à paz e segurança internacionais.

A carta também inclui declarações anteriores atribuídas a Trump. Em 22 de março, segundo o documento, ele ameaçou atacar e destruir as centrais elétricas iranianas. Em 30 de março, ameaçou a destruição generalizada de instalações de energia e outras infraestruturas críticas, incluindo usinas de dessalinização.

O diplomata também observou que, em 6 de abril, Trump afirmou que poderia “destruir o país inteiro em uma noite”, ameaçando atacar pontes e usinas de energia. Um dia depois, em 7 de abril, ele teria declarado, no mais evidente estilo nazista, que “uma civilização inteira será destruída esta noite e jamais retornará”.

O representante iraniano alertou que a inação da comunidade internacional e a normalização de tais ameaças poderiam enfraquecer a autoridade da Carta da ONU e a responsabilidade da organização de prevenir ameaças à paz.

“AS AMEAÇAS NÃO TERÃO SUCESSO DIANTE DA RESISTÊNCIA DO IRÔ

Darzi enfatizou que, independentemente de as ameaças dos EUA serem ou não “meras fantasias infundadas”, elas não se concretizarão diante do que ele descreveu como resistência e defesa do Irã.

Ele também reiterou que a República Islâmica se reserva o direito de defender-se contra qualquer agressão futura e de recorrer aos mecanismos legais disponíveis para exigir indenização pelas perdas e danos sofridos pela população iraniana.

As declarações insanas de Trump intensificaram as críticas entre legisladores e políticos democratas e mesmo alguns republicanos, levando-os a invocar a 25ª Emenda da Constituição dos EUA, que permite que o presidente seja declarado inapto para exercer suas funções e destituído do cargo.

Em um discurso direto às Nações Unidas, o presidente iraniano Masoud Pezeshkian refutou as acusações de terrorismo, afirmando que o Irã é, na verdade, vítima de agressão militar e que o país “jamais aceitará a linguagem da força” e que Teerã responderá “com força e determinação” caso os Estados Unidos continuem sua agressão, ressaltando que o Irã não escolheu a guerra e não a busca.

As declarações surgem no contexto das agressões dos EUA e Israel contra o Irã, que começou com ataques aéreos em 28 de fevereiro, os quais assassinaram diversos altos funcionários e comandantes militares iranianos, além de mais de 160 crianças e funcionários numa escola primária bombardeada em Minab, no primeiro dia da agressão dos EUA, crime que teve forte repúdio internacional.

“Nunca iniciamos uma guerra, mas se eles desejam continuar lutando conosco, responderemos com força e determinação”, declarou Pezeshkian em entrevista a Bret Baier, da Fox News, na quinta-feira (24), durante sua viagem a Nova York para a Assembleia Geral das Nações Unidas.

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