Deputado bolsonarista do PL-SP bêbado, atira em balada e fere apresentador da Globo

Marcelo Aguiar foi detido pela PM, mas liberado em seguida - Foto: Reprodução/X

Testemunhas relatam que deputado evangélico tentou agarrar mulheres antes do disparo; carro que ele dirigia usava placa da Alesp vinculada a outro veículo

O deputado bolsonarista Marcelo Aguiar (PL) foi detido após disparar com uma arma em uma casa noturna no bairro do Itaim Bibi, Zona Sul de São Paulo. Cantor gospel, o deputado estava em estado de alcoolização extrema após ter ido ao ato bolsonarista na Avenida Paulista do último domingo.

Segundo testemunhas que estavam no local, Marcelo Aguiar, que ocupa uma cadeira na Alesp, estaria completamente embriagado e incomodando as pessoas que participavam do evento. Após uma confusão, realizado um disparo com arma de fogo. O projétil acertou em raspão o apresentador da TV Globo, Fred Bruno.

Em vídeo enviado à TV Globo, o apresentador do Globo Esporte deu mais detalhes e informou que não apresentaria o programarte por causa do acontecido. “Eu ouvi o disparo e senti um impacto muito grande no meu pé, começou a latejar, começou a queimar. Não tinha entendido muito bem o que tinha acontecido, mas eu estou bem. Porém, é algo muito sério, poderia ter acontecido algo muito pior ali comigo ou com qualquer outra pessoa”, disse Fred.

Uma testemunha falou ao portal G1 sobre o começo da confusão.

“Ele estava do meu lado, literalmente, mas muito, muito, muito, muito bêbado e estava segurando uma taça de vinho. O que me chamou a atenção, porque a taça de vinho estava balançando e deixando cair vinho. Acabou caindo vinho em mim. E ele estava tentando pegar na mão de duas meninas, ele tentava falar com uma menina, a menina não estava gostando. E, na hora que foram falar com ele, eu vi que ia dar uma confusão e me afastei. Eu vi eles indo para cima, o cara caindo no chão e ele caiu, tipo, literalmente de testa no chão e enquanto ele caia veio o disparo”, contou.

Apesar dos relatos de testemunhas e das imagens que mostram Aguiar cambaleando ao chegar na delegacia algemado, o boletim não registra a realização de teste para comprovar se ele estava sob efeito de álcool.

A defesa do deputado alegou que ele estava sob efeito de “medicamentos fortes”, que provocaram uma reação adversa, e acabou se envolvendo em uma discussão. As imagens, no entanto, mostram o nível de embriaguez do meliante.

Aguiar foi encaminhado ao 14º DP no bairro de Pinheiros, mas não foi preso por ter imunidade parlamentar.

CARRO ADULTERADO

O deputado dirigia um carro com placa da Assembleia Legislativa (Alesp) que não está registrado no site do Poder Legislativo paulista.

O site da Alesp mostra que a placa que ele usava em um veículo BYD preto, mas a mesma aparece como registrada em um veículo Corolla Toyota, oficial da casa e pago com dinheiro público.

Em nota, a Alesp informou que “o veículo apontado pela reportagem não faz parte da frota da Assembleia Legislativa de São Paulo e que a Casa acompanhará o caso”.

O site da transparência do Poder Legislativo aponta que a casa tem apenas dois modelos de carro oficiais por contrato: o Corolla Toyota e Fiat FastBack.

Segundo a apuração, um deputado estadual pode usar a sua verba de gabinete para alugar um carro fora do contrato da casa. Porém, para usar a placa oficial, ele tem que devolver o carro do contrato oficial e registrar o novo veículo no sistema da assembleia. E o modelo BYD preto em que Marcelo Aguiar usava não consta oficialmente registrado na Alesp.

Segundo o Código Penal Brasileiro, andar com placa falsa, seja de representação do Poder Legislativo ou qualquer outra, configura o crime de adulteração de sinal identificador de veículo. A pena é de reclusão de 3 a 6 anos, além de multa.

Apesar do crime evidente, o boletim de ocorrência do caso não registra oficialmente a descoberta do carro com placa falsa da Assembleia Legislativa.

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