“Inaceitável ingerência externa”, afirma o Ministério das Relações Exteriores do Brasil em repúdio às declarações do trumpista Javier Milei
O Ministério das Relações Exteriores do Brasil disse, na terça-feira (20), que o presidente da Argentina, Javier Milei, tentou mais uma “inaceitável ingerência externa” nas eleições brasileiras ao insinuar que o presidente Lula estaria tramando uma fraude.
“As ofensas de hoje do presidente da República Argentina ao Brasil, desta vez dirigidas ao Poder Judiciário e ao sistema de voto eletrônico, constituem nova e inaceitável tentativa de ingerência externa no processo democrático brasileiro”, escreveu o Itamaraty nas redes sociais.
A nota foi publicada depois que Javier Milei fez uma postagem dizendo: “Espero que a última artimanha da campanha suja deles não envolva roubar a eleição… esquerdista ladrão”.
O Itamaraty reforçou que “o sistema brasileiro de voto eletrônico é comprovadamente seguro, nunca registrou irregularidades e observadores eleitorais do mundo inteiro já ratificaram essa realidade no primeiro turno das eleições”.
A fala de Javier Milei manifesta o desespero da extrema-direita com o aumento das intenções de voto de Lula no segundo turno, aumentando sua chance de vitória.
O governo de Javier Milei é considerado um modelo a ser seguido por Flávio Bolsonaro (PL) e sua equipe, que já disseram que pretendem copiá-lo. Sob Milei, 32 mil empresas foram fechadas no país vizinho e o desemprego se expandiu.
A política econômica neoliberal congelou aposentadorias e o salário mínimo, além de acabar com políticas públicas, gerando uma onda de desemprego, fechamento de empresas e miséria. Milei esteve pessoalmente no ato de lançamento da candidatura de Flávio Bolsonaro.
Durante o debate da Band, no domingo (18), Lula questionou Flávio sobre a situação na Argentina e sobre seus planos para copiar o modelo de Milei. O senador, no entanto, fugiu e não respondeu.
Conforme o Instituto Nacional de Estatística e Censos da Argentina (Indec), 32,3% da população está abaixo da linha de pobreza na primeira metade deste ano, considerando 31 aglomerados urbanos. O número representou um aumento de 4,1% pontos percentuais em relação ao segundo semestre de 2025. São cerca de 9,7 milhões de pessoas abaixo da linha de pobreza nas áreas urbanas pesquisadas, 2,25 milhões delas em extrema pobreza. A indigência subiu de 6,3% para 7,5%. A renda média das famílias argentinas cresceu 11,5%, mas a cesta básica que define a linha de pobreza subiu quase 20%. Passados três anos da posse, os salários médios seguem abaixo, em termos reais, do nível de dezembro de 2023.
O desemprego subiu para 7,9% no segundo trimestre de 2026, e o emprego formal privado caiu por 13 meses seguidos. Segundo o portal de notícias de negócios, economia, finanças e política Bloomberg, o país vizinho perdeu 246 mil empregos formais no setor privado, cerca de 4% do total, desde que Milei assumiu. Um levantamento aponta que o número de empregadores caiu de 512.357, em novembro de 2023, para 480.067 em julho deste ano, cerca de 32 mil empresas a menos.











