Jato que levou Flávio aos EUA é alvo de investigação por escândalo de corrupção no governo Milei

Flávio Bolsonaro sai do jatinho em Miami, EUA (Foto: Ricardo Arduengo - AFP)

Aeronave pertence à frota da Baires Fly, citada em investigação sobre suspeitas de desvios de recursos públicos na Argentina

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), derrotado na eleição presidencial, deixou o Brasil rumo aos Estados Unidos em jato privado ligado à empresa argentina citada em investigação sobre suspeitas de corrupção e lavagem de dinheiro no governo de Javier Milei, aliado da família Bolsonaro.

A aeronave é operada pela Baires Fly, que aparece nas apurações sobre possíveis desvios de recursos públicos destinados à Andis (Agência Nacional de Deficiência), órgão responsável por políticas de assistência a pessoas com deficiência.

O caso lança mais questionamentos sobre a viagem de Flávio e as conexões políticas suspeitas que cercam a operação.

DESVIO DE RECURSOS PÚBLICOS

A investigação argentina apura esquema de superfaturamento em contratos de medicamentos e insumos médicos da Andis. A suspeita é que empresas fornecedoras tenham transferido dinheiro a intermediários, que utilizariam notas fiscais de serviços de aviação para dar aparência legal às operações.

O empresário Sergio Daniel Mastropietro foi processado no caso. Segundo o jornal argentino La Nación, a Justiça investiga se ele utilizou faturas emitidas em nome da Baires Fly para justificar transferências de recursos suspeitos. A empresa, por sua vez, afirmou, por meio de fontes ouvidas pelo jornal, que Mastropietro não tem relação com a companhia.

O escândalo atingiu o entorno de Milei e levou à saída de Diego Spagnuolo da direção da Andis.

O caso também envolve acusações de propinas relacionadas a contratos de medicamentos, com menções à irmã do presidente argentino, Karina Milei.

MILEI JÁ USOU AVIÃO DA EMPRESA

A Baires Fly não é estranha ao círculo político argentino. Em novembro de 2023, pouco depois de vencer a eleição presidencial, Milei utilizou jato da companhia na primeira viagem internacional dele, aos Estados Unidos. A aeronave que levou Flávio Bolsonaro, um Gulfstream G400 de matrícula LV-JQW, também passou pelo Equador antes de seguir para Miami.

A viagem do senador e da família foi confirmada pelas autoridades migratórias argentinas. Segundo o comunicado oficial, eles entraram no país por via terrestre e embarcaram em voo privado da Baires Fly com destino declarado a Guayaquil, no Equador. Depois, seguiram para os Estados Unidos.

QUEM ARMOU O VOO E A FUGA?

O custo do fretamento e a identidade de quem contratou e pagou pela aeronave permaneciam sem esclarecimento nas reportagens publicadas nesta quarta-feira (28).

A CNN Brasil informou ter procurado a Baires Fly para confirmar os detalhes da viagem, mas não havia recebido resposta até a publicação da reportagem do veículo noticioso.

A coincidência entre a viagem de Flávio e as conexões da empresa com investigação de corrupção na Argentina levanta questionamentos que precisam ser esclarecidos. O ponto central é saber quem organizou e financiou o deslocamento internacional do senador, além de verificar se houve participação de terceiros na operação.

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