Aeronave pertence à frota da Baires Fly, citada em investigação sobre suspeitas de desvios de recursos públicos na Argentina
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), derrotado na eleição presidencial, deixou o Brasil rumo aos Estados Unidos em jato privado ligado à empresa argentina citada em investigação sobre suspeitas de corrupção e lavagem de dinheiro no governo de Javier Milei, aliado da família Bolsonaro.
A aeronave é operada pela Baires Fly, que aparece nas apurações sobre possíveis desvios de recursos públicos destinados à Andis (Agência Nacional de Deficiência), órgão responsável por políticas de assistência a pessoas com deficiência.
O caso lança mais questionamentos sobre a viagem de Flávio e as conexões políticas suspeitas que cercam a operação.
DESVIO DE RECURSOS PÚBLICOS
A investigação argentina apura esquema de superfaturamento em contratos de medicamentos e insumos médicos da Andis. A suspeita é que empresas fornecedoras tenham transferido dinheiro a intermediários, que utilizariam notas fiscais de serviços de aviação para dar aparência legal às operações.
O empresário Sergio Daniel Mastropietro foi processado no caso. Segundo o jornal argentino La Nación, a Justiça investiga se ele utilizou faturas emitidas em nome da Baires Fly para justificar transferências de recursos suspeitos. A empresa, por sua vez, afirmou, por meio de fontes ouvidas pelo jornal, que Mastropietro não tem relação com a companhia.
O escândalo atingiu o entorno de Milei e levou à saída de Diego Spagnuolo da direção da Andis.
O caso também envolve acusações de propinas relacionadas a contratos de medicamentos, com menções à irmã do presidente argentino, Karina Milei.
MILEI JÁ USOU AVIÃO DA EMPRESA
A Baires Fly não é estranha ao círculo político argentino. Em novembro de 2023, pouco depois de vencer a eleição presidencial, Milei utilizou jato da companhia na primeira viagem internacional dele, aos Estados Unidos. A aeronave que levou Flávio Bolsonaro, um Gulfstream G400 de matrícula LV-JQW, também passou pelo Equador antes de seguir para Miami.
A viagem do senador e da família foi confirmada pelas autoridades migratórias argentinas. Segundo o comunicado oficial, eles entraram no país por via terrestre e embarcaram em voo privado da Baires Fly com destino declarado a Guayaquil, no Equador. Depois, seguiram para os Estados Unidos.
QUEM ARMOU O VOO E A FUGA?
O custo do fretamento e a identidade de quem contratou e pagou pela aeronave permaneciam sem esclarecimento nas reportagens publicadas nesta quarta-feira (28).
A CNN Brasil informou ter procurado a Baires Fly para confirmar os detalhes da viagem, mas não havia recebido resposta até a publicação da reportagem do veículo noticioso.
A coincidência entre a viagem de Flávio e as conexões da empresa com investigação de corrupção na Argentina levanta questionamentos que precisam ser esclarecidos. O ponto central é saber quem organizou e financiou o deslocamento internacional do senador, além de verificar se houve participação de terceiros na operação.











