O presidente foi claro: “para construir um ativo novo, você pode fazer dívida”. Resende quer a queda dos juros e disse que seu pagamento é um verdadeiro “bolsa-banqueiro”
Uma grande farsa e mentira foram desvendadas pela população brasileira durante a última campanha eleitoral. A conversa fiada de que o “tesouraço” de Flávio Bolsonaro significaria alguma solução para os problemas do país ruiu. Tudo isso foi desmascarado pela campanha de Lula. O povo percebeu que o “tesouraço” alardeado pela campanha fascista representaria, ne verdade, uma desgraça para a sua vida.
O chamado “mercado financeiro” ávido por amealhar ativos públicos e bilhões de forma fácil e rápida, apostou todas as suas fichas no projeto bosonarista. Queria estrangular a sociedade, cortar investimentos, programas sociais e serviços públicos para continuar sugando o país – e até aumentar a sangria dos cofres públicos – através dos maiores juros do planeta. O programa de Flávio era a radicalização de tudo isso.
Terminada a eleição, frustrados com a derrota avassaladora, os parasitas da especulação iniciaram um ataque na bolsa de valores e no câmbio. Se deram mal, mas preparam, em seguida, uma campanha orquestrada para que o presidente Lula aplicasse o plano do candidato perdedor, ou seja, aplicasse o mesmo tesouraço de Flávio, só que travestido com o nome de “ajuste fiscal”.
Começaram um verdadeiro alarido de que a dívida pública estaria à beira de explodir e que os cortes sociais eram urgentes e inevitáveis. Diuturnamente os porta-vozes do mercado financeiro deram voz aos economistas pagos pelos bancos para repetir ad nausean que Lula não teria outra alternativa a não ser anunciar os cortes nos programas sociais.
O presidente Lula acabou com a festa numa só tacada. Em reunião do Conselho Nacional para a Industrialização de Minerais Críticos e Estratégicos, ocorrida na sexta-feira (6), ele deu uma resposta à pressão dos especuladores: “Não levaremos o povo pobre a nenhum sacrifício como quer o mercado”, afirmou o presidente.
Ele falou também sobre a cobrança de seriedade fiscal. “Quantos países do mundo têm a seriedade fiscal que temos? Qual a dívida dos Estados Unidos? Da França? Do Japão? Da Itália?”, questionou. “Perto da nossa, é o dobro, em relação ao PIB? E, se a gente for analisar a nossa dívida de verdade, ela nem é tudo que aparece”, completou.
O presidente deixou claro ainda que o endividamento público pode ser um mecanismo útil para o desenvolvimento do país. “Ninguém pode gastar mais do que tem. Agora, se a gente quiser construir um ativo novo, você pode fazer dívida, mas para construir um patrimônio para esse país. Uma ferrovia, uma estrada, uma ponte, um aeroporto. Você pode fazer uma dívida desde que você possa pagar”, argumentou.
A resposta de Lula foi certeira. Este é o caminho para tirar o Brasil da camisa de força imposta pelas restrições aos investimentos e serviços públicos com vistas à prioridade ao pagamento de juros da dívida. A “ditadura fiscalista” imposta pelo “mercado” é um mecanismo pelo qual os 1% mais ricos do país – e principalmente os especuladores estrangeiros que atuam no país através dos bancos internos – ficam ainda mais ricos.
Paralelo à fala do presidente, o economista André Lara Resende também deu uma grande contribuição ao debate ao denunciar esse esquema como sendo o “bolsa-banqueiro”, que desvia recursos da sociedade e impede o crescimento do país. O economista defende a redução das taxas de juros e a retirada das decisões sobre política monetária das mãos do mercado. Ele propõe a criação de um Conselho Monetário e Fiscal que substituiria o Copom, do Banco Central na definição da taxa de juros.
Tanto Lula quanto Lara Resende estão apontando que o maior gasto público do país é com os juros da dívida e que isto deve ser corrigido. É esse gasto que eleva a dívida. Os dois estão defendendo mudar este caminho para que o Brasil supere a injustiça de destinar R$ 1,3 trilhão por ano só para pagamento de juros enquanto o restante da sociedade fica espremido pelos limites impostos pelo mercado. Ironicamente o mercado não impõe nenhum limite aos gastos com juros mas e querem a “ditadura do ajuste fiscal” para a sociedade.
SÉRGIO CRUZ










