“Não é tirar o minério e dar para os outros”, defende Mercadante os minerais críticos

Aloizio Mercadante, presidente do BNDES (Foto: Tomaz Silva - Agência Brasil)

Presidente do BNDES reivindica que o Brasil processe o minério e atinja “a etapa seguinte, que são as baterias, a célula da bateria e o superímã”

O presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Aloizio Mercadante, avalia que o Brasil não pode “fazer dos minerais críticos o que foi o minério de ferro ou o que foi a nossa história de exportar commodities”, disse, em entrevista à TV Brasil.

“Não é tirar o minério e dar para os outros. É agregar valor… Se eu transformo, por exemplo, esse minério em superímã, isso hoje tem um valor extraordinário no mercado porque o mundo depende dele. Para fazer isso, precisa de Estado, precisa do Banco Público, precisa de uma empresa estatal como a Petrobrás”, defende Mercadante.

Segundo o economista, o país hoje conta com 10 empresas em terras raras e minerais críticos. No entanto, Mercadante considera que “a Petrobrás é muito importante, porque a geologia da Petrobrás é de altíssimo nível… O conhecimento geológico que ela tem, e no fundo do mar, é muito mais completo. Lembrando que dois terços do planeta estão embaixo d’água. Tem muita mineração embaixo d’água, não é só petróleo e gás”.

Para Mercadante, o desafio não está na extração. “Ela não é complexa”. “O que é complexo é o processamento e a etapa seguinte, que são as baterias, a célula da bateria e o superímã. Essa parte, a Coreia tem alguma tecnologia e os Estados Unidos pouca. Quem domina é a China e ela não vai abrir. Nós temos que perseguir esse caminho. Nós já estamos financiando empresas de bateria no Brasil, a WEG”.

Mercadante defende a construção de “alianças para o Brasil entrar com força e ofertar ao mundo sem nenhuma subordinação”.

“Nós não temos que nos subordinar aos interesses americanos, nem aos da União Europeia, que tem muito interesse dessa vez. Eu já recebi várias lideranças europeias, empresas que estão interessadas, seus governos têm procurado o Brasil, querem fazer parceria, precisam de minerais críticos. E a própria China, que é um grande parceiro, o maior parceiro comercial do Brasil”, lembra.

O presidente do BNDES explica que “a China, há 30 anos, planejou isso”. “Ela dominou essa tecnologia, investiu em torno de US$ 1 trilhão nesse período e controla 95% desse mercado. E fez toda a cadeia produtiva até o superímã”.

“Então, é crítico para o Ocidente e é estratégico entrar em terras raras, porque a China tem um monopólio. E o país que é a melhor fronteira para entrar nesse segmento é o Brasil. Só que o Brasil só tem um terço do território pesquisado do ponto de vista mineral. Tem dois terços que não estão pesquisados. Seguramente nós temos mais reservas do que isso”.

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