Falta civilidade a pessoas como Milei, diz Fachin, sobre ofensas do fascista argentino ao Brasil

Ministro Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal (STF) (Foto: Carlos Moura - STF)

Flávio Dino também comentou. “O Poder Judiciário é responsável por estabelecer fronteiras intransponíveis para os totalitários e trapaceiros”, disse

O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF) ministro Edson Fachin afirmou, neste sábado (25), que as declarações de Javier Milei sobre o ministro Alexandre de Moraes, se trata de “referência desrespeitosa a magistrado da mais alta Corte do País, feita em solo brasileiro”. Em nota, o ministro afirmou ainda que o tribunal “deplora manifestações incompatíveis com a civilidade que deve caracterizar as relações entre os Estados”.

Milei participou da convenção do candidato fascista, Flávio Bolsonaro, do Partido Liberal (PL), e ofendeu o Brasil. Ele chamou o ministro Alexandre de Moraes, de “lixo careca”. O fascista argentino, que arrasou a economia de seu país e é repudiado pela população de seu país, é um dos maiores puxa-sacos de Trump. Ele veio ao Brasil porque se vê representado pelo fascismo local, representado pela candidatura de Flávio Bolsonaro.

A resposta de Fachin foi incisiva: “Tomei conhecimento da declaração do Presidente da Argentina sobre Ministro do Supremo Tribunal Federal. Trata-se de referência desrespeitosa a magistrado da mais alta Corte do País, feita em solo brasileiro, por ato jurisdicional praticado conforme a Constituição e as leis da República Federativa do Brasil”, afirmou o ministro. “Ao reafirmar a plena autonomia do Judiciário brasileiro, a Presidência do STF deplora manifestações incompatíveis com a civilidade que deve caracterizar as relações entre os Estados”, completou o ministro.

Na última semana, a defesa do presidiário Jair Bolsonaro pediu autorização ao ministro Alexandre de Moraes para que ele recebesse a visita do argentino, mas o pedido foi negado. Bolsonaro foi condenado por tentativa de golpe de Estado com planos de prisões de líderes políticos e assassinatos de autoridades da República.

Parecendo um louco, dançando com Flávio e pulando no palco, Milei disse impropérios e palavrões, Ele mandou um recado ao presidiário que chefia os fascistas brasileiros: “Estimado Jair, mando-lhe um abraço à distância. Tenho certeza de que, quando os obstáculos burocráticos forem superados, poderemos nos reencontrar e dar um abraço pessoalmente, querido Jair Bolsonaro”, afirmou.

“A Justiça brasileira não me permitiu visitar meu amigo injustamente encarcerado, quando Lula se cansou de receber dirigentes estrangeiros enquanto esteve preso, entre eles o então presidente da Argentina, Alberto Fernández”, continuou. “Isso não é nada além de mais uma clara demonstração da injustiça de sua detenção e do caráter vingativo de seus responsáveis”, completou o campeão da bajulação a Trump..

Outro integrante da Corte, o ministro Flávio Dino, também se manifestou, sem citar nominalmente Milei. Em publicação nas redes sociais, afirmou que o Poder Judiciário é responsável por estabelecer “fronteiras intransponíveis para os totalitários e trapaceiros” e ressaltou que o constitucionalismo limita o exercício do poder, “inclusive estrangeiro”.

As declarações do representante do fascismo argentino também provocaram reação do Partido dos Trabalhadores (PT). Em nota, seu presidente nacional, Edinho Silva, afirmou que Milei teve um comportamento “inadmissível” e que “não está à altura do cargo que ocupa”. Segundo o dirigente, embora críticas às autoridades brasileiras sejam legítimas, é inaceitável que um chefe de Estado estrangeiro desrespeite as instituições do país durante uma visita oficial.

Antes de participar da convenção do PL, o político argentino foi recebido pelo governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), no Palácio dos Bandeirantes. O governador carioca homenageou o lunático argentino com a Ordem do Ipiranga, a mais alta honraria concedida pelo governo paulista. O forasteiro Tarcísio não deve ter a dimensão da honraria. Depois da cerimônia, ambos seguiram para o evento político que lançou a candidatura de Flávio Bolsonaro.

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