Claudia Sheinbaum sustenta que “a direita é um movimento político que defende interesses econômicos e a supremacia de alguns sobre outros”. “Apresenta tudo como se o problema da pobreza fosse a falta de esforço individual, e não um modelo que abandonou o povo a uma situação de pobreza e desigualdade”, condena
Durante uma coletiva de imprensa logo após o resultado eleitoral brasileiro, na segunda-feira (5), a presidente do México, Claudia Sheinbaum, não emitiu diretamente uma comunicação sobre as duas candidaturas, mas fez duras críticas ao avanço da direita na América Latina e denunciou tentativas de interferência estrangeira nos processos políticos da região.
“Não posso opinar sobre o Brasil, a Bolívia ou a Argentina, mas posso falar sobre o México. A direita é um movimento político, uma ideologia, que se coloca contra o povo. Ela não defende o povo; defende interesses econômicos e a supremacia de alguns sobre outros. Defende o racismo e o classismo”, condenou Sheinbaum.
De acordo com a presidente mexicana, “a direita apresenta tudo como se o problema da pobreza fosse a falta de esforço individual, e não um modelo que abandonou o povo a uma situação de pobreza e desigualdade”.
“É uma ideologia que fomenta a violência e o autoritarismo, e que se opõe à democracia — reconhecida como o governo do povo”, acrescentou.
Em nosso país, explicou Sheinbaum, “é um movimento que se assemelha aos conservadores do século XIX, ao Porfiriato (do final do século XIX e início do XX), ao autoritarismo, à guerra contra o narcotráfico e à supressão de direitos, ao tratar a educação e a saúde como privilégios ou mercadorias, e não como direitos do povo”.
“E a história do México — por isso nos interessa tanto continuar falando sobre ela — demonstra que o povo mexicano sempre triunfa sobre os movimentos conservadores”, enfatizou. A líder recordou que a mobilização popular “fez isso no século XIX, fez isso com a vitória na Revolução e faz isso agora, pois a Quarta Transformação é um triunfo do povo na defesa de seus direitos e garantias”.
A mandatária mexicana reiterou que “a direita internacional, sim, quer intervir” em outros países e reforçou que a decisão sobre o futuro do Brasil cabe exclusivamente ao povo brasileiro. Sheinbaum disse que seu governo aguardará o desfecho do segundo turno das eleições brasileiras em 25 de outubro, ressaltando que o principal aliado do país é o próprio povo.











