A luta contra o feminicídio e a independência nacional

Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil

O feminicídio é obra do fascismo – e, portanto, da forma mais arrogante do imperialismo. Não é à toa que em épocas de trumpismo e bolsonarismo é que essa forma de crime se agudiza.

É uma mão na roda para a melancólica ideologia do sexismo: para dividir o povo e enfraquecer a sua luta. Para rebaixar a auto-estima de classe, estabelecendo, num momento de crise, como contradição principal a luta do homem contra a mulher.

Ao operário interessa, objetivamente, a emancipação da mulher. O resto é conversa fiada. Significa a mulher trabalhar e não se prostrar na escravidão doméstica, ou seja, mais um salário na família. Significa a valorização do salário da mulher. Significa comida mais barata, mais restaurantes coletivos, mais creches, mais escolas em período integral. Mais força na luta contra o arrocho salarial, por uma vida digna. Por mais saúde e segurança.

Significa se libertar da ideologia do opressor e entender que a fonte de toda a opressão está na exploração de classe, da nação pelo imperialismo, que assalta a riqueza que produzimos.

Só com o apoio de todo o povo, a parte maior dele, isto é, as mulheres, podem avançar em sua própria luta. Avanço que não deixará de ser obra das próprias mulheres.

Por outro lado, o sexismo, a luta do homem contra a mulher – ou da mulher contra o homem – é estimulado pelo opressor, que tem interesses objetivos nesta divisão. Colocar a culpa principal da opressão no operário, significa, hipocritamente, se desfazer de suas responsabilidades, nesse que é o mais grave crime contra a humanidade.

Quem há de se beneficiar mais dessa luta serão as mulheres. São as mais empenhadas e interessadas, justamente porque são as mais oprimidas pelos inimigos de classe.

É por isso que a luta principal das organizações femininas é contra a carestia, por mais equipamentos públicos, pela soberania nacional.

Os crimes contra as mulheres devem ser reprimidos com severidade, exatamente poque significam uma traição de classe. Um esmagamento e uma covardia perante o inimigo.

Há quem diga que esta forma de ver as coisas significa aliviar a luta contra a degeneração do machismo, a misoginia.

Mas, ao contrário, significa colocá-los em seu lugar devido, além de na cadeia, como covardes e traidores.

CARLOS PEREIRA

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