Três escândalos em três dias. R$ 200 mil de emenda para um miliciano, voo com a família no jatinho luxuoso de Vorcaro e operador da propina de Flávio, “Mineiro”, envolvido com facções criminosas
O dique das mentiras de Flávio Bolsonaro não está mais suportando a pressão e começa a se arrebentar. É muita lama que sai da campanha. O Brasil está se dando conta de que um criminoso ligado às milícias está tentando chegar ao Palácio do Planalto. E, como lembrou Leonardo Sakamoto, “milícia é crime organizado. Não há diferença entre milícia, Comando Vermelho e Primeiro Comando da Capital”.
Primeiro veio a notícia de que Flávio enviou de dinheiro para o miliciano Robson Calixto, o Peixe, condenado no assassinato da vereadora Merielle Franco. Depois, surge o voo de Flávio e família no avião de luxo de Vorcaro. Agora sabe-se que o operador da propina que Vorcaro deu para Flávio servia também ao crime organizado e o dinheiro estava todo misturado.
MUITO CRIME PARA UM SÓ CANDIDATO
É muito crime para quem pleiteia a presidência da República. Como disse o editorial do Estadão de terça-feira (23): “Cada eleitor tem a liberdade assegurada pela Constituição para dar seu voto a qualquer candidato regularmente registrado na Justiça Eleitoral. Mas que todos estejam cientes de que, dado o histórico, a candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro embute o risco da ascensão das milícias ao topo do poder da República.”
Pois bem. Vamos ao caso do “Peixe”. Uma assessora do gabinete do senador, hoje candidato a presidente, acertou a emenda com Robson Calixto, o Peixe, em 2023.
‘Vê com o nosso Senador se consegue nos ajudar’, ele disse. Flávio destinou uma emenda parlamentar de quase R$ 200 mil para um projeto esportivo a pedido do miliciano Robson Calixto.
A emenda foi negociada em 2023 entre o miliciano Peixe e Maria de Fátima Bezerra Castro, secretária parlamentar no gabinete de Flávio no Senado.
A PF encontrou mensagens de WhatsApp trocadas entre Peixe e Maria de Fátima no celular do miliciano, apreendido quando ele passou a ser investigado pela morte de Marielle, em 2024. Marielle e seu motorista Anderson Gomes foram mortos em 2018.
Peixe foi condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF), em fevereiro deste ano, a 9 anos de prisão e à perda do cargo de policial militar reformado. Ele foi acusado de ser o elo entre os executores do assassinato e os mandantes, os irmãos Domingos e Chiquinho Brazão — ex-conselheiro do Tribunal de Contas do Rio e ex-deputado federal, respectivamente.
TROCA DE MENSAGENS
Em 24 de outubro de 2023, Peixe escreveu para Maria de Fátima:
“Amiga vê com o nosso Senador se consegue nos ajudar”. A assessora de Flávio respondeu: “Manda a solicitação meu amigo. Um e-mail ou um ofício”.
Peixe, então, mandou um arquivo intitulado “Ofício nº 002_2023”. Em seguida, Maria de Fátima perguntou: “quando vem a brasilia [sic]?”. E o miliciano respondeu: “Vou em Novembro, será que consegue nos ajudar com alguma coisa?”.
Dois dias depois, em 26 de outubro de 2023, Maria de Fátima retomou a conversa. “O deputado Brazão, vc ainda tá com ele? [sic]”. Peixe respondeu “positivo”.
“Temos um evento. Vc vai tbm [também] e já reforça o pedido com o senador”, disse a assessora de Flávio.
Em 22 de março de 2024, Peixe volta a falar com Maria de Fátima e cobrar novas emendas. “Consultamos as destinações parlamentares e não tinha nada do nosso Senador, porém estamos no aguardo”, disse o miliciano. Não há registro de resposta no relatório da PF.
VOO NO JATINHO DE VORCARO
Flávio recebeu propina de R$ 69 milhões de Daniel Vorcaro. Era para receber R$ 134 milhões, conforme acerto flagrado entre os dois. Só não foi repassada toa a propina porque o banqueiro foi preso. Mas não ficou só na propina.
Nesta quarta-feira (23) veio à tona a informação de que Flávio Bolsonaro e família foram passar as festas de fim de ano em Miami, os EUA e votaram no jatinho de luxo de Daniel Vorcaro. E olhem que Flávio ficou cobrando que se investigasse uma viagem do ministro Alexandre de Moraes neste mesmo avião. Ele já tinha usado a mordomia de Vorcaro e mesmo assim fez demagogia contra Moraes. É muita cara-de-pau.
MINEIRO E AS FACÇÕES
E o último escândalo saiu nesta quinta-feira (23). O ministro da Fazenda do governo Lula Dario Durigan, informou que Antônio Carlos Freixo Júnior, conhecido como “Mineiro” e dono da Entre Investimentos, que rgou as contas de Flávio e Eduardo Bolsonaro com dinheiro de Vorcaro, recebeu dinheiro do crime organizado e do Banco Master, de Daniel Vorcaro ao mesmo tempo. O empresário é um dos patrocinadores do filme “Dark Horse”, laudatório a Jair Bolsonaro, e é alvo da Operação Crédito Oculto, deflagrada hoje pela Receita Federal e outras autoridades.
“Estamos falando de uma administradora de um grupo empresarial, que é o Grupo Entre, que recebia dinheiro tanto do Master quanto do crime organizado e dentro de um mesmo bolso. E esse recurso foi utilizado para ocultar patrimônio, para lavar dinheiro, para corromper”, disse Durigan a jornalistas. A Entre seria “entidade-chave” do esquema investigado na operação, concluiu o ministro da Fazenda.










