Vice-presidente destacou os acordos entre os dois países para ampliação do comércio em meio ao tarifaço imposto pelos EUA
O vice-presidente da República, Geraldo Alckmin, afirmou na terça-feira (28) que o Brasil busca ampliar nos próximos dois anos a corrente de comércio com a Coreia do Sul, hoje estimada em torno de US$ 10 bilhões – soma que está abaixo do pico alcançado em 2011 (US$ 15 bilhões).
“Vivemos tempos de fragmentação, de tarifas unilaterais e de incerteza nas cadeias de suprimento. Brasil e Coreia são duas democracias abertas, comprometidas com o multilateralismo e com um comércio internacional baseado em regras”, declarou em evento com a presença do presidente da Coreia do Sul, Lee Jae Myung, em visita oficial ao Brasil..
“Nesse cenário, aproximar-nos não é uma opção conveniente: é uma necessidade estratégica”, avaliou Alckmin. A declaração ocorre dias após a Casa Branca aplicar uma nova sobretaxa de 12,5% sobre as exportações brasileiras aos Estados Unidos, que combinadas a sobretaxas anteriores, faz com que a taxação total varie entre 32,5% e 37,5% dependendo do produto, segundo cálculos da Confederação Nacional da Indústria (CNI) e da Amcham Brasil.
Ao discursar no “Brazil-Korea Business Roundtable”, um evento promovido pela Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil), em parceria com a Federação de Indústrias Coreanas (FKI), em São Paulo, Alckmin ressaltou a importância dos acordos firmados entre os dois países na segunda-feira (27).
“Ontem, em Brasília, [os presidentes de] Brasil e Coreia assinaram 7 memorandos de cooperação nas áreas de minerais críticos, educação, audiovisual, esportes, energia, tecnologia industrial, atividades espaciais e segurança de redes”, explica Alckmin.
“Esse pode ser o momento em que nossos dois países – usando a metáfora de nossa cooperação espacial – podem decolar e mirar objetivos mais altos”, completou o vice-presidente.

Geraldo Alckmin, que, além de vice de Lula, também acumulou, até abril deste ano, o cargo de ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, considera que o objetivo do Brasil “não é apenas vender mais: é agregar valor, integrar cadeias produtivas e investir em conjunto”.
“A Coreia é o segundo maior produtor mundial de semicondutores e líder em memórias e baterias; o Brasil dispõe de reservas expressivas de minerais críticos. Não queremos apenas exportar minério bruto: queremos processar, industrializar e investir juntos ao longo da cadeia. Nesse mesmo eixo estão a inteligência artificial e os centros de dados. Há oportunidades igualmente promissoras no setor aeroespacial e de defesa”.
O vice-presidente também ressaltou que o Brasil, que tem o maior rebanho comercial do mundo, com alta sustentabilidade e rigor sanitário, quer ampliar o acesso da carne bovina brasileira ao mercado sul-coreano.
“Nossa prioridade é a abertura do mercado coreano à carne bovina brasileira, e saudamos a missão de inspeção sanitária da agência sanitária sul-coreana prevista para agosto”, comentou. O governo brasileiro vai enviar, em agosto, uma missão à Coreia do Sul para tratar especificamente das exportações de carne.











